WASHINGTON - Nesta quarta-feira será realizada a eleição de três conselheiros para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA). A escolha ocorre na última sessão da 47ª Assembleia Geral da OEA, que ocorre em Cancún, no México. Flávia Piovesan, secretária de Direitos Humanos do Brasil, tem outros cinco oponentes na disputa — os representantes de EUA, México, Argentina, Chile e Uruguai.
De acordo com fontes diplomáticas, os favoritos são o americano, o mexicano e a brasileira, que substituiriam justamente representantes dos três países — do Brasil, está encerrando seu mandato Paulo Vanucchi. Considerada uma grande especialista no tema, Piovesan, contudo, tem de enfrentar a turbulência política no Brasil e a resistência dos chamados países bolivarianos ao atual governo de Michel Temer, o que pode prejudicar um pouco sua candidatura. Assim, a grande ameaça para Piovesan seria a candidata chilena.
O Brasil quitou há três meses a dívida de US$ 8 milhões que tinha com a OEA e ainda pagou, antes do vencimento, os US$ 10,6 milhões referentes à contribuição do país neste ano, somando US$ 18,6 milhões (R$ 57,8 milhões). O país ainda estuda doar US$ 500 mil (R$ 1,555 milhão) para a CIDH, que enfrenta grave crise financeira. Fontes diplomáticas afirmam que a quitação do débito foi consequência de um estudo realizado pelo governo brasileiro, capitaneado pelo Ministério do Planejamento com o Itamaraty, para analisar a situação das dívidas brasileiras com organismos internacionais e onde se decidiu que a OEA é um dos organismos prioritários.
Isso por si só já melhora a imagem no Brasil no organismo, que no ano passado chegou a ser cobrado publicamente por pequenos países caribenhos — o atraso do Brasil afetou a OEA e a CIDH, pois o país tem a segunda maior contribuição ao organismo, atrás apenas dos EUA. E o grande efeito paralelo é ajudar na campanha de Flávia Piovesan para o órgão de direitos humanos.
A eleição está prevista para ocorrer das 17h às 20h em Cancún, ou seja, das 19h às 22h do Brasil. Cada um dos 34 países da região conta com três votos, um para cada vaga e todos os países têm peso igual na eleição, seja os EUA ou pequenas nações caribenhas.

