Por Tassilo Hummel e Helen Reid
PARIS, 24 Set (Reuters) - A Gucci começou a comercializar novos modelos de tênis de luxo com a etiqueta “Made in China”, um rompimento com sua tradição de fabricação italiana que, segundo alguns analistas do setor, pode prejudicar a imagem de alto padrão da marca, em meio à sua corrida para reconquistar os consumidores da classe média.
A iniciativa destaca o desafio enfrentado pelo estilista da Gucci, Demna, que precisa criar produtos inovadores e, ao mesmo tempo, manter os custos sob controle para atrair os chamados “consumidores aspirantes” — a maior parte dos consumidores de luxo, que são mais sensíveis ao preço do que os super-ricos.
Demna apresentará sua mais recente coleção em um desfile em Milão nesta sexta-feira. Seu sucesso é crucial para a controladora Kering e para o presidente-executivo Luca de Meo, que assumiu no ano passado para liderar uma recuperação, mas viu a retomada inicial do preço das ações perder força neste ano.
A Gucci, marca-bandeira da Kering, viu suas vendas caírem pela metade nos últimos três anos, reduzindo as margens de lucro e forçando o grupo a fechar dezenas de lojas.
Em uma iniciativa que lembra sua passagem pela Balenciaga, Demna criou um modelo futurista de tênis chamado Drip. O calçado é rotulado como “Made in China”, de acordo com o site da Gucci. A Reuters também observou modelos do Drip expostos em uma loja da Gucci em Paris com a mesma etiqueta.
Em comunicado, a Gucci afirmou que a Itália “sempre estará no centro do modelo de fabricação e da identidade da Gucci”, mas que decidiu trabalhar com o fabricante chinês, assim como já havia feito com fornecedores suíços e japoneses para produtos como relógios e óculos no passado.
“O parceiro selecionado ofereceu o know-how tecnológico e as capacidades mais adequadas para atingir os padrões de desempenho e qualidade que buscávamos”, acrescentou.
Não há planos mais amplos de transferir a produção da Gucci para fora da Itália, afirmou um porta-voz da Gucci.
(Reportagem de Tassilo Hummel; Reportagem adicional de Helen Reid, em Londres, e Elisa Anzolin, em Milão)
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