Início Mundo Novo ministério racha partido governista e isola presidente Castillo no Peru
Mundo

Novo ministério racha partido governista e isola presidente Castillo no Peru

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O secretário-geral do partido Perú Libre, Vladimir Cerrón, anunciou nesta quinta-feira (14) que a legenda não dará o voto de confiança para o novo gabinete recém-nomeado pelo presidente Pedro Castillo. Por meio de tuítes e declarações, os dois políticos expuseram o racha formado no partido que até aqui era a base de apoio do novo mandatário.

No último dia 6, o presidente anunciou a troca de seu primeiro-ministro e de outros seis auxiliares, medida vista como uma forma de tentar melhorar a governabilidade, após pouco mais de dois meses da posse. O ex-premiê Guido Bellido Ugarte era um ponto de tensão, por ser alvo de críticas no Congresso desde sua nomeação.

Em comunicado nesta quinta, Cerrón disse que o governo estaria, com a nova configuração ministerial, fazendo uma "virada à centro-direita" e que o partido não apoiará esse movimento. O dirigente ainda afirmou que não aceita no gabinete a presença de "caviares" —termo com que se refere a políticos de perfil de centro-esquerda, como o titular da Economia, Pedro Francke, e a atual primeira-ministra, Mirtha Vázquez.

Político radical de esquerda e chavista, o líder do Perú Libre indicou Castillo para concorrer à Presidência peruana em seu lugar em abril, uma vez que sua situação jurídica —ele responde a processos por corrupção— não permitia que ele disputasse.

"As mudanças de que o país precisa se resolvem trabalhando, não por meio de tuítes. É preciso trabalhar ao lado do povo", respondeu o presidente, em um evento na província de San Martín, no qual apelou ainda para o apoio popular. "Eu respondo ao povo, aos ronderos [grupos de defesa comunitária do interior] e aos professores, que me elegeram. Se detectarem que estamos roubando um centavo do país, que saiam às ruas e venham conversar, porque estamos aqui por causa da vontade popular."

Castillo ganhou as eleições num segundo turno apertado contra a candidata de direita Keiko Fujimori.

Desde sua posse, em julho, ele vem tentando alcançar um difícil equilíbrio entre a necessidade de se mostrar leal do Perú Libre e, ao mesmo tempo, mais moderado para ter apoio no Congresso e trânsito com o setor produtivo e outras camadas da sociedade —ele é o líder com menor aprovação popular para o início da gestão no país nos últimos 20 anos.

O primeiro gabinete escolhido pelo presidente, com forte presença de nomes de confiança de Cerrón —notadamente o primeiro-ministro, Bellido—, foi aprovado no fim de agosto depois de uma maratona de duas sessões no Congresso. Na semana passada, porém, foi dissolvido sob a ameaça dos parlamentares de realizar impedimentos dos ministros.

A nova equipe, escolhida no mesmo dia e com sete mudanças, não agradou à ala mais radical do Perú Libre, pois trouxe nomes mais moderados, depois de indicações de partidos de centro e de centro-esquerda. A nova primeira-ministra, Mirtha Vázquez, por exemplo, pertence ao Frente Ampla, legenda de esquerda moderada.

Na própria noite do dia 6, a bancada mais à esquerda do partido do presidente havia informado que não daria o voto de confiança, necessário para que o ministério siga governando, ao gabinete recém-nomeado. Na ocasião, Waldemar Cerrón, irmão de Vladimir e porta-voz do partido, afirmou que Castillo era um traidor.

Segundo a lei peruana, o voto de confiança, uma aprovação por parte do Congresso, deve ocorrer 30 dias depois da nomeação do conselho de ministros, numa sessão em que o primeiro-ministro apresenta as principais linhas de sua gestão.

No texto divulgado nesta quinta, Cerrón afirma que haverá "expulsões" no partido nos próximos dias e fala em uma reorganização da bancada de parlamentares e da mudança na liderança do bloco. Ele menciona ainda medidas disciplinares a serem aplicadas a duas ministras indicadas por Castillo, Dina Boluarte e Betssy Chávez, que integram a legenda.

Diante da retirada do Perú Libre, outros partidos se pronunciaram a favor do voto de confiança ao novo gabinete de Castillo.

Siglas de esquerda e de centro que tinham se posicionado contra a equipe liderada por Bellido, Força Popular, Avança País e Renovação Popular agora afirmam que apoiarão o novo ministério.

CBF detalha tabela das rodadas finais do Brasileirão com última rodada unificada
Portal do Holanda Vídeo
Esportes
Portal do Holanda
CBF detalha tabela das rodadas finais do Brasileirão com última rodada unificada
AGORA
portaldoholanda.com.br 1 de 12
1 / 12 Ler

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!