Ataque da Força Aérea síria na manhã desta quarta-feira, 21, resultou em ao menos cinco mortes – duas crianças – e deixou 200 pessoas feridas em diferentes áreas da região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, onde, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, existem bases do principal reduto da oposição ao governo sírio.
A intensificação dos bombardeios a mando do regime do presidente Bashar al-Assad neste mês já matou quase 300 civis desde o domingo, 18. Para agências humanitárias e autoridades europeias, a situação já é uma catástrofe humanitária.
De acordo com agências internacionais, as mortes ocorreram no vilarejo de Kafr Batna devido ao lançamento, por helicóptero, de dois barris de explosivos (artefatos explosivos misturados com fragmentos metálicos). O ataque também deixou feridos em outras localidades de Ghouta Oriental, como Arbín, Ain Tarma e Saqba. Ainda nesta quarta, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos acusou os governos sírio e russo pela ofensiva mortal. Em resposta, o Kremlin (sede do Executivo da Rússia) negou qualquer envolvimento nos ataques.
Bombardeios na terça, 20, também foram confirmados pelo Observatório em Hazrama, Al Nashabie e Otaya, onde tropas da coalizão do governo com o exército curdo dispararam 105 foguetes, segundo informações de agências.
Segundo a agência alemã Deutsche Welle, o enclave dos rebeldes na região restringe, há cerca de cinco anos, o acesso a suprimentos médicos aos hospitais, crise agravada com a destruição de três clínicas somente esta semana, atingidas pelos bombardeios.
O hospital de Arbin, destaca a empresa alemã, foi atingida duas vezes na última terça. Observatório culpa o governo russo pelo ataque com jatos. Outro hospital do entorno, o de Douma, a maior cidade em Ghouta Oriental, está lotado, com todos os leitos e camas improvisadas.
Panos Moumtzis, o coordenador na Síria do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), condenou os ataques aos hospitais em Ghouta Oriental, incluindo uma maternidade. Para ele, em nota divulgada na noite de terça-feira, os bombardeios são “inaceitáveis”.
Os frequentes ataques a Ghouta Oriental, para a Anistia Internacional, são crimes de guerra. “O governo sírio, com o apoio da Rússia, ataca propositalmente seu povo em Ghouta Oriental”, disse a pesquisadora da anistia sobre a Síria, Diana Semaan.
Desde o domingo, afirma o Observatório, pelo menos 251 pessoas morreram devido aos ataques aéreos, incluindo 58 jovens e crianças com menos de 18 anos. Fonte: UOL.

