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Nova York segue em frente e deve reeleger De Blasio com folga

NOVA YORK — Exatamente uma semana após o maior atentado terrorista realizado na cidade desde a destruição das Torres Gêmeas do World Trade Center, em 2001, Nova York irá às urnas na próxima terça-feira para eleger prefeito e vereadores. A disputa não deve se complicar para o prefeito Bill de Blasio, 56 anos, que concorre à reeleição, mas ele anunciou o aumento sensível da presença da polícia a fim de assegurar a segurança dos moradores. Foi uma das poucas evidências de que algo grave havia acontecido na maior metrópole americana. A cidade não parou, e o político democrata, apelidado pelos tabloides conservadores de “prefeitinho bolchevique”, apressou-se em registrar uma omissão gritante: até o fechamento desta edição, o igualmente nova-iorquino Donald Trump ainda não havia ligado para prestar solidariedade a De Blasio ou ao governador Andrew Cuomo, também democrata.

Vista como um dos bastiões da resistência progressista ao governo Trump, Nova York é comandada por De Blasio desde 2014. Eleito com uma plataforma oposta à de seus antecessores diretos — o republicano Rudy Giuliani e o independente bilionário Michael Bloomberg — o então vereador do Brooklyn, casado com uma escritora negra e bissexual, parecia sintetizar, na política local, a onda progressista protagonizada por Barack Obama na Casa Branca. Crítico do policiamento ostensivo em regiões de população majoritariamente latino-americana ou negra e ao aumento da desigualdade social na última década, ele chega às vésperas da eleição tentando equilibrar um discurso de tolerância zero com a implementação de políticas sociais criticadas pelos adversários que defendem o Estado mínimo.

— Temos, por motivos óbvios, o maior contingente policial antiterrorista dos EUA e, sim, ele está nas ruas — afirmou. — Os moradores de Nova York não veem problema algum em se deparar com policiais fortemente armados, com equipamento pesado. Estamos enviando uma mensagem clara: não tentem nada ou nossa resposta será rápida e efetiva.

A força diminuta da candidata republicana à prefeitura, a deputada estadual Nicole Malliotakis, fez com que Trump deixasse De Blasio de lado e mirasse seus tuítes contra o líder da oposição no Senado, o democrata Chuck Schumer. De acordo com Trump, o atentado estaria diretamente ligado à posição dos democratas, liderada pelo senador, de defesa da abertura maior das fronteiras e da reforma da imigração. O atropelador entrou legalmente nos EUA e tinha visto de trabalho. Pois uma das posições mais elogiadas de De Blasio pela população em seu primeiro mandato foi justamente a defesa intransigente do status de Nova York como “cidade-santuário”. O prefeito instruiu a polícia e o Judiciário local a não compartilharem informações sobre trabalhadores não-documentados, em sua maioria latino-americanos, com as autoridades federais.

Enquanto a eleição se aproxima em pleno luto na cidade, ontem, a escola secundária Stuyvesant, que fica ao lado de onde o ataque ocorreu, abriu as portas normalmente. Ciclistas disputavam a ciclovia vizinha, à beira do Rio Hudson, invadida pelo caminhão do terrorista. Sofia Gonzalez, 7 anos, chegou à escola de patinete, acompanhada pelo pai, Peter.

— A melhor coisa que podemos fazer contra o medo é viver nossas vidas. Não podemos nos entregar. Nós já superamos coisas piores aqui em Nova York, não será isso que irá nos deter — disse ele.

De Blasio, que aparece em média 40 pontos à frente dos adversários, tem taxa de aprovação apenas regular. Ele é celebrado por conseguir ampliar a escola pública gratuita e aproximar a polícia das minorias étnicas, ao mesmo tempo em que quebrou recordes negativos de crime na cidade. Por outro lado, é duramente criticado pela ausência de uma política habitacional que ofereça moradias subsidiadas numa cidade cada vez mais desigual e pelo número recorde de sem-teto. Na terça-feira, De Blasio quer confirmar sua condição de peça estratégica da esquerda no tabuleiro eleitoral americano. O tamanho de sua vitória dirá se os resilientes nova-iorquinos estão mesmo de acordo com seu prefeito “neobolchevique”.

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