Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - A área plantada com soja no Brasil em 2026/27 deve ter "pequeno" crescimento, por menores margens dos produtores e outros fatores como dificuldades financeiras em momento de crédito restrito, mas a safra pode cair "um pouco" com impacto do El Niño, avaliou nesta quinta-feira o CEO da Divisão de Grãos e Oleaginosas da chinesa Cofco no Brasil.
Em entrevista à Reuters, Luiz Noto considerou que, nesta circunstância, a safra de soja do país, maior produtor e exportador global da oleaginosa, "talvez diminua" por fatores relacionados ao fenômeno climático, que poderia afetar a produtividade média nacional.
"Eu acho que área deve crescer, sim. Deve ter um crescimento pequeno, talvez não tão grande quanto a gente viu ao longo dos últimos anos, muito em função de... um retorno menor do que também o de costume dos últimos anos", afirmou ele, por ocasião do anúncio do primeiro embarque de sorgo brasileiro pela Cofco à China, nesta quinta-feira.
O fenômeno climático El Niño normalmente traz mais chuvas para o Sul do Brasil, mas pode trazer um período mais seco e quente para o centro-norte do país.
"O maior foco vai ser na questão de clima e produtividade para o ano que vem", acrescentou ele, em referência à safra plantada a partir de meados do próximo mês, com colheita iniciando geralmente entre o final de dezembro e início de janeiro.
"Está confirmado um El Niño. Então talvez a gente veja o impacto em produção, em produtividade... talvez um pouco menor, mas uma área maior."
A avaliação do executivo, que está à frente de uma das maiores exportadoras de commodities agrícolas do Brasil, vai ao encontro da opinião de alguns analistas sobre a área plantada. Contudo, consultores veem um pequeno crescimento na produção.
Ainda assim, Noto acredita que a produção brasileira deverá ser compatível com as demandas no exterior e no país. Ele não falou em números.
Na última colheita, concluída no primeiro semestre, o Brasil colheu um recorde de 180,5 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
NOVO TERMINAL
Ao realizar um balanço inicial do escoamento da safra 2025/26, quando a companhia tirou proveito do novo Terminal Export Cofco (TEC), no porto de Santos, o executivo disse que Cofco cresceu "bastante", considerando que a primeira fase do ativo tem capacidade para 12 milhões de toneladas/ano.
"Nós estamos extremamente satisfeitos... crescemos bastante no corredor Santos especificamente, não só em volume que vem via ferrovia do Mato Grosso, mas nós também crescemos em 'market share' nas regiões que são convergentes ao porto, especificamente Minas Gerais, Goiás e São Paulo", afirmou.
Ele disse que Cofco exportou neste ano soja, milho, açúcar, e, na semana passada, sorgo pelo novo terminal, sem detalhar volumes.
A Cofco prevê concluir a segunda fase do novo terminal, que eleva a capacidade do ativo para 14,5 milhões de toneladas/ano, por volta de outubro.
A entrada de mais alguns silos de armazenagem trará mais capacidade portuária, disse ele. "Mas os dois berços já estão em pleno funcionamento", destacou.
(Por Roberto SamoraEdição de Pedro Fonseca)



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