BELO HORIZONTE, MG (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente francês, Emmanuel Macron, está na Casa Branca nesta segunda-feira (24), onde apresentará ao presidente dos EUA, Donald Trump, "propostas" de paz na Ucrânia e para afastar a "ameaça que a Rússia representa para a Europa". O encontro acontece no dia do terceiro aniversário da invasão russa à Ucrânia.
O QUE ACONTECEU
Macron chegou a Washington na noite deste domingo (23). Após a reunião, prevista para começar às 12h no horário local (10h em Brasília), os presidentes da França e dos EUA darão uma entrevista coletiva, prevista para as 15h (13h em Brasília).
A reunião acontece após Trump começar a negociar com a Rússia uma possível paz na Ucrânia sem a presença de ucranianos ou europeus. O presidente dos EUA também repetiu narrativas russas sobre a responsabilidade da Ucrânia em iniciar a guerra, o que levantou preocupações na Europa de que o país poderia aceitar as condições de Moscou.
Macron vem tentando coordenar uma resposta europeia e tentando incluir Ucrânia e Europa nas discussões entre Rússia e EUA. Antes de embarcar para Washington, ele disse que a Rússia é "uma potência excessivamente armada... e continua a se armar. Não sabemos onde isso vai parar nesta segunda-feira (24). Então, todos nós devemos agir para contê-la".
Do outro lado, a Rússia alega que a União Europeia quer que o conflito "continue", ao contrário dos EUA. O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que a Rússia não vai parar de lutar na Ucrânia até obter o que deseja das negociações para acabar com o conflito. "Não cessaremos as hostilidades até que essas negociações levem a um resultado firme e duradouro que seja adequado à Federação Russa".
PAZ DE LONGO PRAZO
Em entrevista divulgada nesta segunda-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou que o país quer um acordo de paz de longo prazo. "Podemos reconhecer com bastante confiança o desejo do lado americano de avançar em direção a um cessar-fogo rápido. Mas um cessar-fogo sem um acordo de longo prazo é o caminho para uma rápida retomada dos combates e uma retomada do conflito com consequências ainda mais graves, incluindo consequências para as relações russo-americanas. Não queremos isso", afirmou à agência de notícias RIA.
Ryabkov também disse que as conversas entre a Rússia e os EUA na semana passada não tiveram clareza sobre os planos de paz de Trump para a Ucrânia. "Precisamos encontrar uma solução de longo prazo, que, por sua vez, deve necessariamente incluir um elemento de superação das causas fundamentais do que vem acontecendo na Ucrânia e em seus arredores", disse Ryabkov.
Moscou anunciou que uma nova reunião entre russos e norte-americanos deve acontecer no próximo final de semana. A mudança de postura de Washington após três anos de apoio militar ininterrupto surpreendeu muitos ucranianos, que temem que o país seja forçado a aceitar concessões territoriais em troca de um cessar-fogo.
LÍDERES MUNDIAIS EM KIEV
Enquanto Macron está nos EUA, líderes mundiais estão em Kiev, na Ucrânia, para levar apoio à população e ao presidente Volodymyr Zelensky. Treze líderes europeus e do Canadá participam presencialmente da cúpula, enquanto outros 24 representantes estrangeiros entram por videoconferência. Entre os participantes, estão a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.
Cúpula irá discutir meios de continuar ajudando a Ucrânia, diante da reviravolta do apoio dos EUA à Rússia. "Nesta luta pela sobrevivência, não é apenas o destino da Ucrânia que está em jogo. É o destino da Europa", afirmou Ursula von der Leyen.
Durante a reunião, Von der Leyen anunciou uma nova ajuda de 3,5 bilhões de euros (R$ 21 bilhões) da União Europeia para a Ucrânia. "A guerra na Ucrânia continua sendo a crise mais central e de maiores consequências para o futuro da Europa", declarou.
No início do dia, Zelensky agradeceu "a todos que defendem e apoiam" seu país nas redes sociais. "Três anos de resistência. Três anos de gratidão. Três anos de absoluto heroísmo dos ucranianos", afirmou.
Mais tarde, em discurso, o presidente ucraniano pediu por uma "paz real e duradoura" na Ucrânia. "Este ano deveria ser o começo de uma paz real e duradoura. Putin não nos dará a paz, nem nos dará a paz em troca de algo. Temos que conquistar a paz por meio da força, sabedoria e unidade", disse.

