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Neymar quer se despedir da Copa do Mundo, e Brasil deposita confiança em um craque lesionado

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Neymar quer se despedir da Copa do Mundo, e Brasil deposita confiança em um craque lesionado
Neymar quer se despedir da Copa do Mundo, e Brasil deposita confiança em um craque lesionado

Por Fernando Kallas

1 Jun (Reuters) - Para Neymar, a Copa do Mundo seria menos um novo começo e mais uma despedida — uma última aparição no maior palco do futebol após uma carreira marcada por brilhantismo e reveses persistentes.

Agora com 34 anos, o maior artilheiro da seleção brasileira foi convocado pelo técnico Carlo Ancelotti, após quase três anos longe do time nacional, apesar de sua presença na Copa do Mundo ter ficado em dúvida logo no primeiro treino, na semana passada, do qual ele não participou para fazer exames que revelaram uma lesão na panturrilha.

Ele jogou pela última vez pela seleção brasileira em 2023, quando sofreu uma lesão devastadora no joelho contra o Uruguai em uma partida das Eliminatórias da Copa do Mundo.

Desde aquela noite de outubro, Neymar ficou afastado dos gramados por mais de 600 dias devido a uma série de lesões entre sua passagem pela Arábia Saudita e no Brasil, onde retornou ao Santos, seu clube de infância, no ano passado, na tentativa de ressuscitar a carreira.

Em vez disso, mais lesões e novas controvérsias acompanharam sua luta para recuperar forma física e ritmo de jogo.

Ele marcou seis gols e deu quatro assistências em 15 partidas neste ano, sendo cuidadosamente administrado e nunca jogando mais do que quatro vezes consecutivas desde que voltou de mais uma cirurgia no joelho em fevereiro.

Sua convocação gerou um debate acirrado no Brasil. Quando Ancelotti subiu ao palco do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em 18 de maio, para anunciar a lista de convocados, a tensão pairava no ar até o nome de Neymar ser chamado. A multidão explodiu como se um gol no último segundo tivesse sido marcado.

Ancelotti, que disse no sábado acreditar que Neymar pode estar disponível a tempo da primeira partida do Brasil, em 13 de junho, optou tanto pelo romantismo quanto pela razão ao chamar o ídolo de longa data do país, enquanto molda uma equipe de alta intensidade para os pentacampeões mundiais.

Os companheiros de equipe apoiaram publicamente o retorno de Neymar, mas a torcida continua dividida entre a lealdade ao craque e a preocupação se seu corpo ainda consegue acompanhar a sua cabeça.

Esta seria sua quarta Copa do Mundo — um torneio que marcou a sua trajetória turbulenta no futebol.

Em 2014, em casa, ele marcou quatro gols em cinco partidas antes que uma lesão nas costas, após uma colisão com um adversário colombiano, o tirasse da derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal.

Em 2018, chegando com dúvidas quanto à sua forma física após uma lesão no pé pelo Paris Saint-Germain, não conseguiu impedir que o Brasil fosse eliminado pela Bélgica nas quartas de final.

Em 2022, animado pelo bom desempenho no PSG, as esperanças estavam novamente altas, mas uma lesão no tornozelo contra a Sérvia atrapalhou sua campanha, antes de uma derrota nos pênaltis para a Croácia encerrar mais uma vez a trajetória do Brasil nas quartas.

Agora, Neymar está longe de seu auge e enfrenta um dilema tático. Ancelotti disse à Reuters no início de maio que sua equipe tem que pressionar alto e correr incansavelmente — uma tarefa exigente para um jogador que está reconstruindo seu corpo e sua confiança.

Quer Neymar desempenhe um papel central ou sirva como um catalisador emocional, sua simples presença altera o clima. Para o bem ou para o mal, a história do Brasil em 2026 levará seu nome mais uma vez.

(Reportagem de Fernando Kallas)

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