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Netanyahu, mulher e filho serão interrogados em caso de corrupção

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Tel Aviv Pela primeira vez em 12 anos de mandatos (não consecutivos), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tenta afastar a atenção da mídia sobre seu nome — sem sucesso. Nessa segunda-feira, ele; a mulher, Sara; e o filho mais velho, Yair, serão interrogados simultaneamente, em razão das acusações que envolvem a família. Netanyahu responde a todas as alegações atribuindo-as a perseguições da oposição e da mídia.

Mesmo que venha a ser indiciado devido às investigações das quais é alvo, Netanyahu poderá permanecer no cargo até o fim do mandato, em novembro de 2019. Embora a legislação proíba ministros sob inquérito de exercerem suas funções, ela é omissa em relação ao cargo de premier. Mas analistas especulam sobre o impacto dessas ações em sua atuação e questionam seu futuro político.

— Ele, no momento, se dedica exclusivamente aos temas ligados às relações exteriores e à segurança nacional, mas não a outros, como economia ou infraestrutura — afirma o analista político Nehemia Streshler, articulista no jornal “Haaretz”. — Seus pares no governo relatam que, nas reuniões, deixa a entender que está tudo bem. Mas não está, uma vez que precisa dedicar muito de seu tempo se preparando para responder às investigações.

Primo também investigado

A polícia recomendou o indiciamento de Bibi, como é conhecido em Israel, em dois inquéritos: os Casos 1.000 e 2.000. No primeiro, iniciado em 2016, é acusado de ter recebido “presentes” de bilionários internacionais em troca de favores pessoais: lobby para a obtenção da extensão de visto americano para o israelense baseado nos Estados Unidos Arnon Milchan e favorecimento fiscal no caso da repatriação do australiano James Packer. O segundo se refere à ligação com o editor do jornal “Yedioth Ahronot” — é acusado de negociar cobertura favorável em troca de uma legislação que suspenda a distribuição gratuita de um dos rivais da publicação, o “Israel Hayom”.

Outras duas investigações envolvem indiretamente o primeiro-ministro. O Caso 3.000, de 2015, investiga corrupção na compra de submarinos alemães. David Shimron, primo e advogado pessoal de Netanyahu, foi detido sob suspeita de tráfico de influência e propina no negócio, que movimentou US$ 2 bilhões. Já o Caso 4.000 apura a acusação de que o premier tentou beneficiar a companhia de telecomunicações Bezeq em troca de uma cobertura jornalística favorável no site “Walla” — ambos fazem parte do mesmo conglomerado. A mulher e o filho mais velho também estão sendo investigados no caso e a situação da família se complicou após Nir Hefetz , um ex-assessor, ter negociado delação premiada.

Sara também se envolveu em outras polêmicas e acredita-se que em breve será indiciada por fraude, quebra de confiança pública e gastos irregulares de dinheiro público, que somariam mais de US$ 100 mil. Já em um recente escândalo envolvendo Yair, ele é ouvido em uma gravação telefônica exigindo que um amigo, Nir Maimon, filho do magnata do gás Koby Maimon, cubra suas despesas em um clube de striptease:

— Meu pai conseguiu um negócio de bilhões de dólares para o seu. Você não pode me cobrir em 400 shekels? — diz na gravação.

Yair, de 26 anos, vive na residência oficial. Não tem trabalho formal e cuida da imagem do pai nas mídias sociais. Comentam que usa carro oficial para ir com amigos aos pubs de Tel Aviv.

— Não há nenhuma chance de Netanyahu escapar das acusações. A questão é apenas quando. O fato de o ministro da Economia, Moshe Kahlon, ter declarado que deixará o governo no momento em que o premier for indiciado deixou claro que ele não conseguirá sobreviver politicamente — diz Ben Caspit, comentarista político e autor do livro “The Netanyahu Years”, sucesso de vendas em Israel. — Netanyahu já entendeu isso e joga com o tempo.

O público mais crítico ao premier se concentra em Tel Aviv, o bastião liberal do país, e nas principais metrópoles. Nas periferias, por sua vez, o premier é visto como um grande orador e chefe de Estado que trouxe prosperidade e garante a segurança de Israel.

— Somos todos Bibi — afirma Erez Madar, de 33 anos, cabeleireira de um dos redutos eleitorais de Netanyahu, a cidade de Kiryat Malachi. — Deixem que receba charutos. Por nós, ele merece até um avião.

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