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Negócio legal da imigração ilegal movimenta bilhões

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WASHINGTON — Para os ativistas que fazem voluntariado em defesa dos imigrantes, tirar proveito econômico deles é “repugnante”. Mas o negócio da imigração ilegal no Texas gera cadeias prósperas e emprega credores, agiotas e advogados de pequeno porte. Desde o último mês, o Texas esteve no centro do escândalo migratório gerado pela política de “tolerância zero” do presidente Donald Trump, que provocou a separação de mais de 2.300 crianças de suas famílias ao entrar no país ilegalmente, ou pedindo refúgio.

Mais de dois terços das detenções acontecem no Texas: no ano fiscal de 2017 (que termina em outubro), 207 mil de um total de 304 mil, segundo o escritório de migração ICE. Por isso, o Texas tem a maior quantidade de prisões para imigrantes.

Construído em 1983, o centro de detenção em Houston foi o primeiro privado da História moderna dos Estados Unidos. Seus donos, Corrections Corporation of America (CCA) e GEO Group, são as duas maiores corporações de prisões no país.

“Apreciamos muito a contínua confiança que o escritório de Imigração e Alfândega mostra em nossa companhia”, disse em 2017 o presidente da GEO, George Zoley, no comunicado no qual informou de um novo contrato com o governo federal de US$ 110 milhões.

Segundo o centro de pesquisa In The Public Interest, este esquema faz com que a prisão maciça por crimes menores — como a entrada ilegal — seja promovida na esfera privada. As duas corporações, “juntas, gastaram mais de US$ 10 milhões em candidatos políticos e quase US$ 25 milhões em lobby desde 1989”, assinalou um relatório de junho. GEO e CoreCivic somaram lucros anuais de US$ 4 bilhões em 2017, segundo documentos das duas empresas.

— É uma indústria que acomoda um lobby a favor de sentenças mais longas (...) e mais severas, porque sempre que há uma cama ocupada, eles fazem dinheiro — disse à agência AFP a advogada de migração Jodi Goodwin, voluntária na ONG Migrant Center for Human Rights. — É asqueroso. É repugnante.

O escândalo de separação familiar também trouxe à tona os operadores privados dos abrigos para onde vão as crianças afastadas dos pais ou responsáveis. Existem 31 abrigos no Texas, segundo o “Texas Tribune”. Deles, os mais conhecidos são os do Southwest Key Programs, que, segundo a revista “Bloomberg”, receberá mais de US$ 458 milhões do governo este ano.

— É uma indústria em alta — disse à AFP o economista William Glade, professor emérito da Universidade do Texas.

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