Por Oliver Griffin e Luciana Magalhaes
SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) - As negociações entre credores e acionistas da produtora brasileira de açúcar e etanol Raízen avançaram para evitar uma recuperação judicial e se concentram na estrutura de governança da empresa, juntamente com outras questões importantes, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto.
As negociações para manter a reestruturação da Raízen fora dos tribunais começaram oficialmente em abril e devem ser concluídas até meados de junho.
Os credores e acionistas da empresa -- também uma das maiores distribuidoras de combustíveis no Brasil -- estão chegando a um acordo para converter de 45% a 50% da dívida da empresa em ações, uma medida que diluirá significativamente as participações dos parceiros de joint venture Shell e Cosan, e potencialmente reformulará a composição do conselho da empresa, disseram duas das pessoas.
Em março, a Raízen anunciou que havia chegado a um acordo extrajudicial para reestruturar cerca de R$65 bilhões em dívidas, com um prazo de 90 dias para garantir apoio suficiente para a aprovação final, após o qual os novos termos de pagamento se aplicariam a 100% dos créditos cobertos.
A Raízen e a Shell não quiseram comentar as negociações de conversão da dívida.
A Shell reiterou sua proposta de injetar R$3,5 bilhões para socorrer a Raízen, acrescentando que continuará a trabalhar em estreita colaboração com a liderança e os credores da fabricante de açúcar para garantir o futuro de longo prazo do negócio.
É provável que os credores não consigam pressionar a Shell a contribuir com mais do que os R$3,5 bilhões que já colocou na mesa, disse uma das pessoas, citando o impacto do imposto de exportação de 12% sobre o petróleo que o governo brasileiro implementou para aliviar os consumidores do aumento dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio.
Duas das fontes, que pediram para não ter seus nomes revelados porque as negociações são privadas, disseram que acreditam que um acordo será alcançado antes do prazo final, mas reconheceram que algumas questões ainda não foram resolvidas.
PAPEL DO PRESIDENTE DO CONSELHO EM QUESTÃO
Uma questão pendente diz respeito ao futuro do atual presidente do conselho de administração da Raízen, Rubens Ometto, que está injetando R$500 milhões para apoiar a reestruturação, muito menos do que a Shell, que está contribuindo com R$3,5 bilhões.
A Cosan, que na semana passada levantou capital novo por meio de uma oferta pública inicial de R$3,2 bilhões de sua subsidiária de gás Compass, está lidando com seus próprios problemas de dívida e não usará os recursos do IPO para resgatar a Raízen, disse uma das fontes.
A Cosan não quis comentar.
"Fará sentido que Ometto continue como presidente após a reorganização da empresa? Ainda não sabemos", disse uma das pessoas.
Ometto não quis comentar.
VENDA DE ATIVOS NA ARGENTINA
A Raízen também está em negociações para vender uma refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina para o Mercuria Energy Group, um negociante de energia e commodities fundado na Suíça, em um negócio que pode render entre US$1 bilhão e US$1,5 bilhão, disse uma das fontes.
A transação provavelmente será anunciada somente quando as negociações de reestruturação financeira forem finalizadas, reduzindo o risco do comprador, disse a pessoa.
Os credores e acionistas também estão discutindo se os recursos da transação na Argentina serão usados para reduzir a dívida ou para reforçar a posição de caixa da Raízen, disse uma segunda pessoa.
A Mercuria não respondeu aos pedidos de comentários.
Uma das fontes disse que vários fatores ajudaram a levar as negociações adiante, incluindo o interesse internacional na distribuição de combustíveis no Brasil, a repressão policial ao crime organizado nos postos de combustíveis e o fato de que as dificuldades da Raízen decorriam de problemas relacionados ao clima, agravados pelas altas taxas de juros.



