O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que não vai se desculpar por ter compartilhado um vídeo que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A declaração foi a primeira manifestação pública dele sobre o caso, que provocou forte repercussão no país. “Eu não cometi um erro. Eu olho milhares de coisas”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, ao comentar a publicação.
Segundo o republicano, ele não assistiu ao vídeo completo antes de repassá-lo à equipe e afirmou que a postagem foi retirada do ar assim que o conteúdo veio à tona. “Ninguém sabia que aquilo estava no final. Se tivessem olhado, teriam visto e, provavelmente, teriam tido bom senso para tirar do ar”, declarou. Trump disse que enviou o material por tratar de uma suposta fraude eleitoral na Geórgia em 2020 e classificou a aparição do casal Obama como uma “paródia”, embora tenha afirmado que também “não gostaria” do conteúdo.
A Casa Branca adotou discursos diferentes ao longo do dia. A porta-voz Karoline Leavitt disse à Fox News que a repercussão era uma “distração” e chegou a minimizar o caso, chamando o material de “meme da internet”. Em nota anterior, o governo havia afirmado: “Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano”. Mais tarde, porém, a Casa Branca informou à agência Reuters que a publicação foi um “erro” cometido por um funcionário.
O vídeo, publicado na Truth Social na noite de quinta-feira (5), ficou no ar por cerca de 12 horas e foi apagado após críticas de parlamentares democratas e também de aliados de Trump. O senador republicano Tim Scott afirmou que o material foi “a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”. Já o gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o episódio como “comportamento repugnante”, enquanto Ben Rhodes, ex-conselheiro de Barack Obama, disse que Trump será lembrado “como uma mancha” na história dos Estados Unidos.


