NOVA YORK — O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, alertou nesta terça-feira, na sede das Nações Unidas, que a atual política de combate às drogas só causará mais mortes e mais prisões. Durante uma conferência sobre a manutenção da paz, Santos insistiu que a proibição e repressão aos consumidores não funcionou no mundo e que uma nova abordagem de corresponsabilidade é necessária para conter a demanda e punir grupos criminosos.
— Quero reiterar mais uma vez meu apelo urgente ao mundo para que abra os olhos — disse Santos durante a cúpula. — Se queremos mudar o rastro de mortes e destruição social que nos deixou o tráfico de drogas, se queremos proteger a paz da Colômbia, da região e do mundo, temos de mudar a estratégia global para superar o problema das drogas."
Em seu discurso, Santos disse que o tráfico de drogas continua sendo a principal ameaça à paz em seu país.
— Os cartéis transnacionais matam os líderes sociais comprometidos com a substituição de cultivos (de coca) — afirmou o presidente, artífice do acordo de paz com as Farc. — A luta para assumir o controle do negócio, que continuará a ser um negócio enquanto a demanda continuar existindo, gera mortes e mais violência na Colômbia e na região.
O chefe de Estado falou extensivamente sobre o processo de paz em seu país. Ambos os lados assinaram um acordo de paz em 2016 após 50 anos de conflito interno. Desde a assinatura do pacto, um processo lento começou a permitir aos rebeldes uma transição para a vida civil. Os combatentes desistiram de suas armas e fundaram um partido político, mas muitos colombianos relutam em virar a página e acreditam que um tribunal especial criado recentemente para analisar os abusos da guerrilha será muito tolerante. Além disso, o fim das Farc levou ao aumento de dissidências, que exploram os vazios deixados nas zonas abandonadas pelas Farc.
— Com o apoio da comunidade internacional, tornamos o impossível possível.

