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Mulher de Liu Xiaobo também foi punida por pedir liberdade

PEQUIM — Quando Liu Xiaobo começou a escrever o manifesto que o levou à sua última prisão na China — pedindo em 2008 a separação de Poderes, democracia legislativa, liberdade de associação e expressão e reformas de mercado — recebeu da mulher, Liu Xia, um pedido desesperado para não ir adiante com a chamada Carta 08. Irrefreável, ele não deu ouvidos. Acabou condenado a 11 anos de prisão.

Pintora, poetisa e escritora, Xia resolvera assumir os riscos e se casar com Liu em 1996, quando ele estava num campo de trabalhos forçados por criticar as tentativas de reunificação à força de Taiwan e defender a libertação das pessoas ainda presas por participação nos protestos de 1989. Só sairia de lá três anos depois. “Quero me casar com aquele inimigo do Estado”, disse ela, segundo uma biografia de Liu — por causa da perseguição, os dois resolveram não ter filhos.

Liu e Xia se conheceram no círculo literário da Pequim dos anos 1980. Mas só puderam estar juntos de verdade entre 1999 e 2008, quando o escritor foi preso. E Xia acabou pagando o preço por também lutar pela liberdade: sem explicação, acabou posta em prisão domiciliar após visitá-lo na cadeia para comemorar a premiação do Nobel.

Os dois só voltaram a se ver quando ela recebeu permissão para visitá-lo no hospital.

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