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MSF alerta para impacto da violência na saúde mental dos colombianos

RIO — O Médicos sem Fronteiras (MSF) faz um alerta sobre os altos níveis de violência testemunhado pelas equipes da organização em cidades da Colômbia. No relatório “Na sombra do processo de paz”, publicado nesta quinta-feira, a ONG afirma que a violência continua sendo um grande problema na Colômbia, apesar do fim do conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A presença e influência de organizações criminosas e de outros grupos armados provocam um número crescente de ameaças, homicídios, sequestros, entre outros atos criminosos, segundo a organização.

O documento examina dados médicos coletados nos anos de 2015 e 2016, nas cidades de Buenaventura e Tumaco. De acordo com consultas prestadas a 6 mil pacientes, sete em cada dez experimentaram situações violentas. A exposição à violência provocou casos de depressão em 25% das pessoas que foram analisadas, ansiedade em 13%, transtornos mentais em 11% e estresse pós-traumático em 8%. Os pacientes registrados foram em sua maioria mulheres (68%).

Para a ONG, a exposição a eventos violentos tem um efeito direto e importante na saúde da população e o MSF pede o aumento dos atendimentos às necessidades de saúde mental decorrentes da violência. O coordenador-geral do MSF na Colômbia, Juan Matias Gil, afirma que a realidade enfrentada pelos moradores de Buenaventura, no departamento de Valle del Cauca, e Tumaco, no departamento de Nariño, pode ser considerada uma aproximação plausível da realidade em áreas urbanas e rurais de outras regiões do país.

“Esse tipo de violência tem um impacto nítido na saúde física e mental das populações”, explica Gil. “Há um déficit dos serviços de saúde mental em nível primário, apesar das necessidades significativas da população e da existência de um marco legal de atenção, assistência e recuperação integral para vítimas dos conflitos armados internos”.

Para a ONG, a atenção dada à saúde mental da população é inadequada e só pode ser encontrada nas principais cidades do país. Já que o tratamento de saúde mental não está disponível em comunidades menores ou afastadas dos centros comerciais, parte da população não pode receber o tratamento adequado.

“Não há psiquiatras em Buenaventura”, diz a psicóloga do MSF no município Brillith Martínez. “Se alguém precisar de assistência psiquiátrica, deve ir a Cali, a duas horas e meia de distância pela estrada. A maioria dos que vivem aqui não pode arcar com a viagem. Desse modo, muitas vítimas ficam sem receber tratamento integral”.

O MSF também alerta para a implementação de medidas de assistência a vítimas de violência sexual. Segundo dados da organização, somente 9% dos casos de estupro nas cidades de Buenaventura e Tumaco foram tratados nas 72 horas posteriores, comprometendo a eficácia do tratamento e aumentando o risco de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A ONG pede ao governo colombiano para que continue no caminho adotado pela legislação e que fortaleça a saúde física e mental dos sobreviventes de violência sexual.

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