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Morre Lucía Hiriart, viúva do ditador chileno Augusto Pinochet

SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) - Morreu nesta quinta-feira (16), em Lo Barnechea, ao norte de Santiago, Lucía Hiriart, viúva do ditador Augusto Pinochet (1915-2006). Aos 99 anos, ela passou por uma série de hospitalizações nos últimos anos devido a problemas respiratórios, que se complicaram nas últimas semanas.

Em mensagem publicada nas redes sociais, sua neta Karina Pinochet escreveu: "[Lúcia] entregou sua vida ao serviço dos chilenos, e a história saberá valorizar sua obra grandiosa e seu trabalho por nosso amado país".

Assim que a notícia foi divulgada, dezenas de pessoas se encaminharam para a praça Baquedano (também chamada de Dignidad), em Santiago, para celebrar. O local foi o epicentro das manifestações de 2019, que levaram à convocação da Assembleia Constituinte ora em atuação --cuja missão é justamente substituir o texto constitucional escrito nos tempos de Pinochet.

No final da tarde, ouviam-se buzinas e gritos de celebração na região central da capital chilena.

Hiriart era considerada uma assessora informal do marido, com influência no regime --tendo inclusive participado das decisões que levaram ao bombardeio do palácio de La Moneda, sede do Executivo, em 11 de setembro de 1973; a ação terminou com o suicídio de Salvador Allende e o início do regime militar (1973-1990).

Durante o período, Hiriart tinha uma sala do palácio de governo e mantinha vínculo direto com Manuel Contreras, então chefe da Dina, serviço de inteligência da ditadura. Contreras esteve à frente da repressão do regime, responsável por mais de 3.000 desaparecimentos, segundo estimativas de organizações de direitos humanos.

De acordo com sua biógrafa, Alejandra Matus, Hiriart foi a responsável por Pinochet ter traído a confiança de Allende com a finalidade de promover a si mesmo. "Ela aceitou a morte de pessoas próximas, a tortura de familiares e até o exílio de pessoas próximas com a finalidade de que o marido se ressaltasse", afirmou, no livro "Doña Lucía".

Hiriart também dirigiu a Fundação Cema Chile, de ajuda assistencial a mulheres carentes. Em 2005, a entidade foi acusada de corrupção, por supostamente ter recebido edifícios e fundos públicos de modo ilegal. Ainda liderou outras associações de caridade e era uma figura recorrente nos programas de televisão.

A morte da viúva de Pinochet ocorre a três dias do segundo turno das eleições presidenciais que vão definir o sucessor do presidente Sebastián Piñera. Um dos candidatos, José Antonio Kast, celebra o legado pinochetista e, na campanha, chegou a dizer que o regime não foi uma ditadura.

Tanto Kast como seu rival, o esquerdista Gabriel Boric, devem realizar atos de encerramento de campanha nesta quinta-feira (16).

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