INDIANÁPOLIS — Famoso por ter derramado tinta em um retrato gigante de Mao Tsé-Tung na Praça Tiananmen (Paz Celestial), em Pequim, durante as manifestações de 1989, o ativista Yu Zhijian morreu no fim de março nos Estados Unidos. Zhijian cumpriu 12 anos de prisão pelo ato.
Em asilo político no país americano desde 2009, Zhijian vivia em Indiana, região central dos Estados Unidos. Ele sofria de diabetes. Sua morte, aos 53 anos, segundo Xian Gui’e, viúva do dissidente, foi no dia 30 de março.
— Yu Zhijian nunca se arrependeu do que fez em 1989, mas teria gostado de apresentar suas desculpas à família de Mao por ter jogado ovos com tinta contra o retrato — disse Xian à AFP.
O gesto foi cometido no dia 23 de maio de 1989, ao lado de dois colegas: Yu Dongyue e Lu Decheng. Eles foram levados para a polícia pelo serviço de segurança dos manifestantes, que ocupavam a praça há várias semanas para exigir reformas democráticas, mas não queriam parecer hostis ao governo.
Após a repressão violenta das manifestações, em 4 de junho de 1989, Yu Zhijian foi condenado à prisão perpétua e seus dois colegas a penas de prisão de 20 e 16 anos, respectivamente.
Yu Zhijian, libertado por bom comportamento, e Yu Dongyue, libertado em 2006 após 17 anos de prisão, fugiram da China em 2009 e conseguiram asilo político nos Estados Unidos. Lu Decheng, liberado em 1998, deixou a China em 2004.
Xian explicou que ela e o marido, que trabalhavam como enfermeiros, conseguiram nacionalidade americana e nunca tentaram retornar à China.

