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Ministério do Trabalho coloca BYD em cadastro de empresas que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão

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Ministério do Trabalho coloca BYD em cadastro de empresas que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão
Ministério do Trabalho coloca BYD em cadastro de empresas que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão

Por Fabio Teixeira

RIO DE JANEIRO, 6 Abr (Reuters) - O Ministério do Trabalho colocou a montadora chinesa BYD em seu cadastro de empresas que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, segundo documento publicado pela pasta.

A decisão acontece após um escândalo em 2024 no qual trabalhadores chineses teriam sido vítimas de tráfico humano e contratos abusivos.

A lista acarreta mais riscos à reputação da montadora em seu maior mercado depois da China.

Ela também impede a BYD de obter certos tipos de empréstimos de bancos brasileiros, mas não afeta a operação de sua única fábrica de automóveis no país, para a qual os trabalhadores foram contratados.

A BYD não respondeu a um pedido de comentário.

O Jinjiang Group, que a BYD usou para contratar os 163 trabalhadores citados no escândalo, negou as alegações. A BYD já havia dito anteriormente que não tinha conhecimento de nenhuma violação até as reportagens da mídia brasileira no final de novembro.

As autoridades brasileiras argumentaram que a BYD é, em última instância, responsável pelas condições de seus trabalhadores, pois deveria estar supervisionando seus prestadores de serviços.

ALOJAMENTOS LOTADOS, SEM COLCHÕES

Os trabalhadores chineses contratados pela Jinjiang no Brasil tiveram que entregar seus passaportes ao novo empregador, permitir que a maior parte de seus salários fosse enviada diretamente para a China e pagar um depósito de quase US$900 que só poderia ser devolvido após seis meses de trabalho, de acordo com um contrato de trabalho visto pela Reuters.

Uma inspeção também encontrou os trabalhadores vivendo amontoados em alojamentos sem colchões. Trinta e um trabalhadores foram colocados em uma única casa com apenas um banheiro e comida empilhada no chão ao lado de pertences pessoais, no que foi considerado "condições degradantes".

O escândalo causou indignação internacional, inclusive na China, e levou a um atraso de meses na construção da fábrica.

Mas a BYD parecia ter deixado o escândalo para trás, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participando da inauguração da fábrica em outubro, em uma demonstração do fortalecimento dos laços entre o Brasil e a China.

Desde então, a fábrica já produziu mais de 25.000 veículos.

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