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Metrô de Caracas fecha totalmente em mais um dia de protestos contra Maduro

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CARACAS — Os sistemas de metrô de Caracas e de Los Teques, capital do estado de Miranda, foram suspensos nesta quarta-feira, após apenas duas horas de serviço, em mais um dia de protestos contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Às 8h da manhã (horário local), a companhia anunciou nos alto-falantes que iria fechar todas as estações para proteger os usuários, as instalações e os funcionários das estações. As manifestações contra o governo, que começaram no dia 1º de abril, já deixaram 26 mortos e 437 feridos no país.

É a primeira vez que o metrô fecha totalmente durante um protesto da oposição. Anteriormente, 27 estações já haviam sido fechadas, e na “marcha do silêncio”, a empresa suspendeu 19. No Twitter, a informação foi confirmada pela conta oficial da companhia, que comunicou que alguns serviços de ônibus também foram suspensos, o que provocou engarrafamentos e dificuldades de transporte para quem tenta ir trabalhar.

Contingentes policiais e militares estão mobilizados desde cedo, com veículos e outros equipamentos anti-motins, nos acessos a estradas de diferentes setores de Caracas. A marcha marcada pela oposição para esta quarta-feita pretende chegar à sede da Defensoria do Povo, no centro de Caracas. O local é considerado um reduto chavista, onde os opositores não puderam entrar até agora por serem bloqueados pelas forças de segurança. Desde que os protestos começaram foram registrados confrontos entre a polícia e os manifestantes, distúrbios, saques e tiroteios de grupos de encapuzados.

— Vamos resistir, vamos persistir, não vamos nos render — convocou o líder opositor Henrique Capriles ao acusar o governo de uma repressão selvagem das manifestações.

Sem ceder terreno, o chavismo convocou a juventude revolucionária a marchar também nesta quarta-feira ao Palácio Presidencial de Miraflores em defesa da paz e em apoio a Maduro.

— Vamos derrotar a guarimba (protesto violento) e o golpe de Estado — disse Maduro, que acusa os opositores de terrorismo, na noite de terça-feira.

O presidente venezuelano, cujo mandato termina em janeiro de 2019, afirma que seus adversários têm um plano apoiado pelos Estados Unidos para derrubá-lo e propiciar uma intervenção estrangeira. Enquanto isso, a oposição classifica o governo de ditadura e vê como única saída para a profunda crise política e econômica do país petrolífero a saída de Maduro do poder através de eleições.

Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, reprovam o governo Maduro, cansados da escassez de alimentos e remédios, e de uma inflação que, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), chegará a 720,5% neste ano — a mais alta do mundo.

A tensão na Venezuela causa preocupações da comunidade internacional. A Organização dos Estados Americanos (OEA) se reúne nesta quarta-feira para discutir um possível encontro de chanceleres que tratem o tema. A ministra das Relações Exteriores do país, Delcy Rodríguez, advertiu que, se for realizado o encontro, a Venezuela iniciará o procedimento de retirada da OEA.

A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira que o governo pare com a perseguição e com as detenções arbitrárias contra os opositores, enquanto a ONG Repórteres Sem Fronteiras publicou seu relatório sobre ameaças à imprensa, no qual situa a Venezuela na posição 137.

Os protestos explodiram depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de ser dominado pelo chavismo, assumiu no fim de março as funções do Parlamento, único dos poderes que a oposição controla. O TSJ recuou desta decisão após as fortes críticas internacionais e a surpreendente declaração da procuradora Luisa Ortega, chavista confessa, que denunciou uma ruptura da ordem constitucional.

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