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May anuncia Sajid Javid como ministro de Interior após demissão

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LONDRES — Em meio a uma chuva de críticas sobre o Escândalo , que levou a ministra do Interior Amber Rudd a pedir demissão na noite deste domingo, a premier britânica, Theresa May, anunciou nesta segunda-feira o nome depara o cargo — o primeiro membro de uma minoria étnica a ocupar a vaga. De ascendência paquistanesa, Javid era secretário do Governo Local, das Comunidades e da Habitação. O anúncio foi feito no Twitter.

A oposição britânica exigia há dias a demissão de Rudd. E a saída veio horas depois que o jornal “The Guardian” publicou uma carta de janeiro do ano passado, na qual Rudd apresenta a May um plano, descrito como “ambicioso, porém realizável”, de redução do número de imigrantes no país. Desde então, milhares de imigrantes oriundos de países da Comunidade Britânica tiveram seu status legal alterado e se viram subitamente alvo de deportações.

Na carta, Rudd afirma que está redefinindo o foco de seu ministério para “garantir a meta de aumentar o número de deportações em mais de 10% nos próximos anos” — o que entra em contradição com declarações recentes da ministra, nas quais afirmou que não havia determinado, analisado ou aprovado possíveis números de deportações.

Embora o ex-ministro de Imigração Brandon Lewis tenha sugerido, após a publicação da carta, que o aumento nas deportações seria “uma ambição” e não “meta”, fontes do “Guardian” descreveram as alegações de que não haviam metas específicas ou que tais objetivos não foram discutidos pelo alto escalão do governo como “absurdos e vergonhosos”, afirmando que o ministério trabalhou para deportar 12.800 pessoas entre 2017 e 2018, média de 250 por semana.

A chamado “Geração Windrush” recebeu esse nome em homenagem ao navio que trouxe a primeira leva de imigrantes de países da Comunidade Britânica levado ao Reino Unido após a Segunda Guerra Mundial. A falta de arquivos no Ministério do Interior dificulta a conta, mas organizações como o Observatório da Imigração da Universidade de Oxford estimam que o número de imigrantes chegados ao Reino Unido antes de 1971 e que nunca se naturalizaram britânicos foi de 57 mil pessoas.

Em 1971, o governo anunciou o fim dos incentivos à imigração e, por meio de um decreto parlamentar, deu à Geração Windrush o direito de permanência no Reino Unido. Depois disso, apenas cidadãos britânicos nascidos no exterior passaram a ter este direito.

Na sexta-feira, o “Guardian” já havia noticiado que em junho do ano passado Rudd teria recebido um memorando de seu próprio ministério estabelecendo o número de deportações. Em resposta, a ministra frisou que não conhecia esses números.

— Eu não sabia, e reconheço que deveria saber — afirmou Rudd na sexta-feira. — Peço desculpas. Como ministra do Interior, trabalharei para garantir que nossa política migratória seja justa e humana.

O Partido Trabalhista e os Democratas Liberais, principais legendas de oposição no Reino Unido, enxergaram na demissão uma tentativa de proteger a primeira-ministra. De acordo com os trabalhistas, Rudd foi um “escudo humano” para May, que, durante o período em que ocupou o Ministério do Interior, criou políticas que geraram um “ambiente hostil” para imigrantes e, consequentemente, os problemas que o governo agora enfrenta.

— Está claro que Amber Rudd terminou sendo, ao menos em parte, o bode expiatório para proteger a premier — afirmou o porta-voz do Democratas Liberais, Sir Ed Davey. — Theresa May terá que responder algumas perguntas agora, já que essas falhas aconteceram quando era a ministra do Interior.

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