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Macron se aproveita de vazio político e surpreende na campanha eleitoral francesa

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PARIS — Quando Emmanuel Macron criou seu movimento Em Marcha!, em abril do ano passado, e na sequência deixou o cargo de ministro da Economia do governo François Hollande para alimentar suas ambições presidenciais, ninguém apostaria que hoje, apenas um ano depois, seria um dos principais favoritos para conquistar o Palácio do Eliseu. Ele se empenhou em se distanciar de seu passado de homem de negócios do Banco Rotschild, de sua identidade socialista e de ministro de um dos governos mais impopulares da história da França, para se apresentar como um candidato conciliador, capaz de agrupar em seu movimento os moderados da esquerda e da direita, e como o presidente que saberá manter o equilíbrio entre “as liberdades e as proteções sociais”.

Na esquerda, é acusado de liberal em demasia, em um olhar desconfiado para seu currículo de ex-banqueiro. Já a direita critica sua participação no governo Hollande e suas amizades socialistas. Mas ao longo da campanha, Macron foi acumulando apoios tanto de políticos da direita e da esquerda, desapontados com rumos mais radicais tomados por seus respectivos partidos. Pascal Boniface, do Instituto de Estudos Europeus, define sua façanha como inédita:

— Não era certo que Hollande não se recanditaria, o que lhe tiraria espaço, nem se poderia adivinhar que o candidato ultrafavorito nas sondagens, François Fillon, teria problemas com casos de corrupção. Macron teve uma sorte incrível, porque deveria ser, em princípio, um candidato com papel importante, mas sem qualquer esperança de se classificar ao segundo turno. E hoje é ele o principal favorito no pleito.

Para o analista político Claude Pennetier, Macron se aproveitou de um “vazio político” criado pela atual crise vivida pela esquerda e direita tradicionais.

— É um personagem muito hábil. Ele procura encarnar uma esquerda modernista europeia, as pessoas estão decepcionadas a política em geral, e o fato de ele não ter um partido o favorece. Ele poderá encontrar pontos de equilíbrio com centristas e socialistas, certos apoios sem participação. Mas, se ganhar, a situação será complexa.

Michel Wieviorka ressalta o aspecto de novidade do candidato:

— Ele representa a juventude, a capacidade de reunir pessoas razoáveis de centro-direita e de centro-esquerda, em uma forma de fazer a política se renovar. Enquanto outros preferem os extremos, ele procura encarnar o apaziguamento e uma certa racionalidade.

O cenário de uma vitória de Emmanuel Macron na eleição presidencial é o mais temido pelo PS em sua tentativa de reconstrução pós-pleito, pois poderia acelerar a evasão de socialistas para o campo vencedor do movimento Em Marcha!, além dos que já debandaram antes mesmo do primeiro turno.

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