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‘Macron possui algo que intriga e seduz’, diz senador socialista francês

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PARIS — Senador histórico do Partido Socialista (PS) e também prefeito da cidade de Lyon, Gérard Collomb foi um dos primeiros a se aliar a Emmanuel Macron, em março de 2016, antes mesmo que o candidato centrista lançasse, um mês depois, o movimento Em Marcha!.

Enquanto não me excluírem, eu ficarei. Mas penso que haverá uma recomposição da vida política. Tenho diferenças muito fortes com a linha de Benoît Hamon, não é a minha linha política. No partido Os Republicanos também há pessoas muito incomodadas com a linha hoje adotada, bastante conservadora. Alguém como Alain Juppé favorecia uma linha mais centrista, uma visão mais reformista da sociedade, no sentido social do termo, diferente das posições mais brutas de François Fillon. Também haverá um debate na direita.

Será complicado e complexo, mas penso que se pode inovar. Quando me engajei ao lado de Macron, nada dizia que um ano depois ele poderia vencer as eleições presidenciais. O risco não me dá medo, o que importa é, sobretudo, a construção do futuro.

Sim, penso que é uma virada bastante clara. Tivemos no passado uma fratura na vida política francesa, com De Gaulle e a 5ª República, em 1958, e hoje estamos em um destes momentos históricos em que as coisas mudam. O bipartidarismo está morto, já tínhamos o tripartidarismo com a Frente Nacional de Marine Le Pen. De qualquer forma, não haverá mais aquele quadro clássico de dois partidos, de esquerda e de direita a grosso modo, entre os quais se disputa o jogo do poder a cada eleição.

Já estamos preparando o pleito legislativo. Está tudo bem organizado. Se vencermos as eleições presidenciais, teremos uma maioria. Neste momento, veremos a fratura no seio da direita e da esquerda francesa, e o candidato eleito presidente terá muitas chances de poder vencer o pleito parlamentar em um bom número de circunscrições. Estamos analisando isso em detalhes, por cada circunscrição.

Eu animava no seio do PS um movimento dito reformista, e quando Emmanuel Macron era ministro da Economia, o partido não o convidou para o tradicional encontro socialista anual de verão, em La Rochelle, porque pensava que ele desenvolvia teses demasiado iconoclastas. Eu o convidei para nosso encontro de reformistas, e ele fez um discurso extraordinário. Falou da França, da Europa e do mundo atual, com a internacionalização da economia, as mudanças climáticas etc. Ele tem um carisma singular, e possui algo que intriga, seduz e atrai.

Sua origem é a esquerda. Mas o que pesa, hoje, é que a situação francesa é gravíssima, perdemos em dez anos 750 mil empregos industriais. Macron tenta reconciliar pessoas com diferentes percursos, como eu, que venho da esquerda, e outros mais centristas, como François Bayrou. E há um certo número de pessoas que vêm do gaullismo social ou juppeistas, que não se reconhecem na escolha feita nas primárias da direita por um candidato particularmente conservador.

Eu colocaria as coisas um pouco em nuances. Penso que Hollande começou por não ir na boa direção no começo do mandato. Na questão da habitação, a lei feita na época não funcionou. Depois, tomou medidas que permitiram uma melhora da situação econômica, por exemplo, com as iniciativas do Pacto de Responsabilidade. No ano passado, o investimento industrial cresceu em torno de 6%. Mas tudo isso veio tarde demais para que fosse traduzido eleitoralmente. Se tivesse adotado estas medidas no início do quinquênio, teria feito um governo bem-sucedido. Trata-se de um fracasso pessoal. Sua política exterior não foi ruim com o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius. Mas isso está distante da vida concreta dos franceses.

Penso que, hoje, quanto mais presidente da República permanecer como presidente da República e se ocupar menos da eleição será melhor para todo mundo, inclusive para ele.

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