O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que permitirá à Ucrânia produzir mísseis de cruzeiro de fabricação francesa, bombas guiadas de precisão e mísseis interceptores de defesa aérea, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 13, após reunião de líderes europeus com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Paris. Macron também anunciou a intenção de realizar exercícios militares conjuntos em países vizinhos.
"Zelensky e eu concordamos em um cronograma entre nossos dois países, implementando o que foi acordado em princípio em novembro sobre nossa cooperação bilateral de defesa", disse Macron, segundo a Reuters . A concessão para Kiev produzir os mísseis franceses ocorre após a Ucrânia encomendar sistemas de defesa aéreo de nova geração franco-italianos e 16 caças Rafale, estes últimos com entrega prevista para 2028-29.
De acordo com a agência de notícias, esta é a primeira vez que a França concorda em licenciar a produção para a Ucrânia, o que permitiria ao país ampliar seus estoques militares enquanto a Rússia intensifica a ofensiva contra o território ucraniano.
Sobre os exercícios militares, Macron disse que fariam parte de uma "força multinacional" de aliados da Ucrânia que seria destacada uma vez que um cessar-fogo seja alcançado com a Rússia, conforme a Reuters . O plano já é sinalizado há algum tempo por líderes europeus, mas enfrenta forte resistência por Moscou.
Em publicação no X após o encontro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está preparando a "sua parte" dos empréstimos de 90 bilhões de euros para apoiar o forte momento militar da Ucrânia, que está "virando a onda" do conflito contra a Rússia. "Podemos e vamos fazer mais", frisou.
Os empréstimos citados por von der Leyen integram uma iniciativa conjunta entre a União Europeia e o Reino Unido, anunciada ontem em comunicado conjunto. O acordo permite à Ucrânia ter acesso a uma gama mais ampla da indústria europeia de defesa e atende a necessidades financeiras previsíveis pelos próximos dois anos. Segundo a nota, 7,1 bilhões de euros já foram desembolsados em junho, com 3,2 bilhões de euros destinados ao orçamento ucraniano e 3,9 bilhões de euros para defesa, enquanto novos recursos são esperados nesta semana.
"A segurança europeia é mais forte quando os aliados se unem", afirma o comunicado.
Em evento paralelo nesta segunda, Macron ecoou o sentimento e chamou de "absurda" a tentativa de alguns países europeus de sustentar sua defesa sozinhos. "Toda vez que criamos fragmentação, podemos nos sentir bem no momento, mas criamos atrasos para o futuro", disse o francês, segundo a Reuters . "Quando se trata de drones, sistemas de defesa aérea, mísseis e munições, não estamos produzindo rapidamente o suficiente e não estamos produzindo em escala suficiente".



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