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Londres recorre a matemáticos chineses para melhorar ensino


afp.com / Peter Parks

Londres (AFP) - O governo britânico, preocupado com os resultados de seus alunos em matemática, pretende contratar 60 professores chineses para "aumentar o nível" das aulas, anunciou o ministério da Educação.

A iniciativa é parte de um programa de intercâmbio que prevê ainda o envio a China de professores britânicos para que observem o sistema local, que impressionou a ministra britânica da Educação, Elizabeth Truss, em uma visita recente.

"Temos professores de matemática brilhantes neste país, mas o que vi em Xangai e em outras cidades chinesas apenas reforça minha convicção de que podemos aprender com eles", disse a ministra.

Xangai ficou em primeiro lugar na avaliação Pisa 2012 dos alunos do ensino secundário no mundo, publicada em dezembro pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos).

Em seguida ficaram Cingapura, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Macau e Japão. O Reino Unido ficou em 26º lugar.

Uma análise dos resultados da OCDE mostra que os filhos dos operários de Xangai e de Cingapura têm resultados melhores em matemática que os filhos de profissionais muito bem pagos do Reino Unido, como médicos e advogados, constatou o ministério.

Para a ministra Truss, a diferença com Xangai está na apenas nos métodos de ensino, mas também "no estado de ânimo positivo, que muda tudo".

A ministra lamentou "a cultura antimatemática vigente em nosso país há vários anos" e expressou confiança de que a chegada dos professores chineses provoque uma "mudança de filosofia".

Segundo um estudo da consultoria Pro Bono Economics publicado nesta quarta-feira, a falta de conhecimentos matemáticos custa ao Reino Unido quase 20 bilhões de libras por ano.

A iniciativa do ministério não agradou o sindicato de professores britânicos.

"Os resultados do Reino Unido na avaliação Pisa são similares aos da Dinamarca, França, Islândia, Nova Zelândia e Noruega. É ridículo fazer acreditar que os professores chineses sabem mais ou têm mais destreza que os destes países ou os do nosso", lamentou Christine Blower, a secretária-geral do sindicato.

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