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Líderes do Congresso temem que Trump interfira em investigação sobre conluio

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WASHINGTON - A força das denúncias do procurador especial Robert Mueller contra integrantes da campanha de Donald Trump levou diversos políticos a se preocuparem com uma eventual interferência na investigação sobre a influência da Rússia nas eleições presidenciais dos EUA no ano passado. Apesar de a Casa Branca negar qualquer plano de substituição de Mueller, a informação de que o governo espera uma conclusão “em breve” para a investigação e a tentativa do presidente de minimizar os indiciamentos contra os integrantes de sua campanha geraram o temor.

Na terça-feira, Trump voltou a desqualificar o ex-assessor George Papadopoulos, que confessou ter mentido para o FBI e está colaborando com as investigações. O ex-assessor admitiu que sugeriu a Trump um encontro com líderes russos durante a campanha. Ao criticá-lo, o presidente disse que Papadopoulos era apenas “um assessor para pegar cafezinho”. Além de Papadopoulous, foram indiciados Paulo Manafort, ex-chefe da campanha republicana, e seu sócio Rick Gates. Pelo Twitter, Trump disse que o indiciamento de Manafort se baseia em fatos que ocorreram antes de ele entrar em sua equipe.

As atitudes de Mueller de imputar crimes graves aos investigados, inclusive a acusação de conspiração contra o país, indicam, segundo fontes ouvidas pela imprensa americana, que o procurador pode estar trabalhando para que Manafort também faça delação. Estimativas da imprensa americana apontam que, se for condenado pelos 12 crimes dos quais é acusado, Manafort, de 68 anos, poderia receber pena de até 80 anos de prisão. Assim, um acordo de colaboração poderia ser interessante para ele.

Mesmo sem atingir diretamente a campanha de Trump, a atuação de Mueller foi incisiva a ponto de gerar a preocupação no Congresso, inclusive entre republicanos, de que Trump poderia tentar intervir no processo. O presidente é suspeito de ter demitido o então chefe do FBI James Comey por causa da insistência em investigar a atuação russa nas eleições americanas e o eventual conluio para prejudicar a candidata democrata Hillary Clinton.

— O presidente não deve, em nenhuma circunstância e de nenhuma maneira, interferir no trabalho do procurador especial — afirmou o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, em movimento seguido durante todo o dia por democratas e republicanos — Se ele fizer isso, o Congresso deve agir de maneira rápida, inequívoca e bipartidária, para assegurar que a investigação continue e que se conheça a verdade.

Também na terça-feira, a Casa Branca frisou que não vai interferir no trabalho de Mueller. No entanto, a porta-voz, Sarah Sanders, voltou a dizer que espera o fim da investigação em breve, frisando que isso não significa em “dois ou três dias”:

— E esperamos isso em grande parte porque sabemos que os fatos estão do nosso lado, não houve conluio (entre os republicanos e os russos) — disse ela.

Segundo a NBC, o antigo chefe de Papadopoulos na campanha, Sam Clovis, foi ouvido por Mueller. Clovis atua na secretaria de Agricultura de Trump e pode ser peça-chave na investigação. Segundo o “Washington Post”, há a expectativa de Papadopoulos tenha produzido provas contra antigos companheiros.

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