BERLIM — O ex-presidente da Catalunha Carles Puigdemont foi detido na Alemanha, informou neste domingo Jaume Alonso-Cuevillas, advogado do líder separatista. Foragido na Espanha por sedição e rebelião, Puigdemont foi capturado quando tentava deixar a Dinamarca rumo à Bélgica, onde vive em exílio desde outubro do ano passado, quando realizou um referendo para a secessão unilateral catalã.
Segundo o advogado, Puigdemont foi detido às 11h19, pelo horário local, em Schleswig-Holstein, estado ao norte da Alemanha, enquanto tentava chegar, de carro, à fronteira com a Bélgica.
Na sexta-feira, um juiz que atua no processo de tentativa de secessão de outubro indiciou 25 líderes separatistas, sendo 13 por rebelião, e determinou a prisão preventiva de cinco deles. Outras seis ordens internacionais de captura foram emitidas, incluindo a de Puigdemont, que teve o cargo de presidente da Catalunha cassado por Madri após a tentativa de independência em 27 de outubro.
Sob risco de prisão, Puigdemont decidiu se exilar na Bélgica. Na época, a Justiça espanhola emitiu uma ordem internacional de detenção, que logo foi retirada. Na sexta-feira, o líder separatista estava desde quinta-feira na Finlândia para participar de um seminário da Universidade de Helsinki. Segundo Alonso-Cuevillas, ele deixou o país assim que soube da nova ordem internacional de captura.
Segundo o “El País”, os serviços de inteligência espanhóis estavam monitorando Puigdemont desde a saída da Finlândia, na sexta-feira. No primeiro momento, foi levantada a hipótese de prendê-lo na Dinamarca, mas a operação foi interrompida após agentes se certificarem de que o líder separatista seguiria viagem de carro pela Alemanha, país considerado pela Espanha um dos melhores parceiros europeus em colaboração policial.
Desde sexta-feira, a Catalunha vive período de tensão. Em Barcelona, manifestantes entraram em choque a polícia deixando 37 feridos. No sábado, o Parlamento da Catalunha suspendeu o processo de indicação de um novo presidente, pois Jordi Turull, candidato separatista, também foi detido.
A decisão judicial de sexta-feira é considerada o maior golpe contra o movimento pela independência da Catalunha. Praticamente todos os líderes agora enfrentam processos judiciais. Treze dos processados — ex-membros do governo, parlamentares e líderes de associações separatistas — enfrentam até 30 anos de prisão pela acusação de rebelião, a mais polêmica, por envolver a existência de violência, algo que os independentistas negam.
— O que aconteceu foi um ataque ao coração da democracia — afirmou no sábado o presidente do Parlamento catalão, o separatista Roger Torrent.
Inés Arrimadas, líder do partido Cidadãos, alinhado com Madri estimulou seus adversários a abandonarem o processo de secessão. Também os recriminou por terem passado por cima das leis ao realizarem um referendo de autodeterminação e proclamado a secessão:
— Este processo tem sido um fracasso coletivo de toda a Catalunha. Vocês realmente têm que fazer uma reflexão: de que serviu este processo? — questionou, recordando a divisão social e a incerteza econômica causadas.
A tentativa de se criar uma república Catalã separada da Espanha terminou com a perda temporária da autonomia da Catalunha, que está sendo controlada pelo governo espanhol. A governo foi destituído e novas eleições foram realizadas, mas os separatistas obtiveram nova vitória.
Desde a posse do novo Parlamento, em janeiro, a Catalunha busca um nome para ocupar a presidência. O primeiro nome indicado foi o de Puigdemont, mas como o líder estava exilado na Bélgica, não poderia assumir o cargo. O segundo indicado foi o de Jordi Sánchez, preso desde outubro e, por esse motivo, impedido de tomar posse. Agora, os parlamentares discutiam o nome de Jordi Turull, detido na sexta-feira.

