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Líbano pode ser próxima frente de violência no Oriente Médio, dizem analistas

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DAMASCO e TEL AVIV — O duelo de mísseis entre Israel e Irã, logo após a saída dos Estados Unidos do acordo sobre o programa nuclear iraniano, na terça-feira, levou a pedidos de calma de vários países e deixou a comunidade internacional em alerta para o perigo de uma escalada que leve a um novo conflito no Oriente Médio, atingindo primeiro o Líbano. Na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu a distensão do confronto e indicou que debaterá a situação com a chanceler federal alemã, Angela Merkel. Antes do anúncio da saída americana, os dois estiveram na Casa Branca para tentar convencer o presidente Donald Trump a permanecer no acordo com o Irã. O presidente Rouhani falou por telefone com Merkel e garantiu que o país não tem interesse numa escalada.

Já Netanyahu falou com a premier britânica, Theresa May, e obteve seu aval, embora ela tenha reiterado o apoio europeu ao pacto com o Irã — fortemente rejeitado por Israel. O chanceler russo, Sergey Lavrov, tachou os ataques israelenses de “muito alarmantes”. Embora apoie o ditador Bashar al-Assad na Síria ao lado do Irã, o governo russo é próximo de Israel e pediu aos dois lados que resolvam diferenças por meios diplomáticos.

Uma fonte não identificada da oposição síria, no entanto, informou ao diário israelense “Haaretz” que Israel teria recebido aprovação da Rússia para o ataque.

— Russos e americanos não conseguem encontrar uma solução (para o conflito) com uma enorme presença iraniana na Síria porque o Irã está agindo de acordo com linhas étnicas e não diplomáticas — informou a fonte.

Para o ex-embaixador americano em Israel Martin Indyk, a saída de Trump do acordo nuclear não ajudou a conter as tensões, mas um conflito já se desenhava desde o início do ano quando Teerã deslocou milícias para a região do Golã e mísseis para a Síria, numa medida de apoio militar ao grupo xiita libanês Hezbollah. Israel tem feito ataques às posições iranianas nos últimos meses.

— Não se trata de uma guerra por procuração. É uma guerra direta e, portanto, particularmente perigosa — afirmou Indyk ao “New York Times”. — Israel e Irã estão envolvidos numa guerra fria há cerca de 20 anos, mas agora ela está escancarada e o potencial para uma escalada é muito maior hoje.

Indyk acredita que o conflito tende a piorar:

— O pior cenário possível seria uma propagação do conflito até o Líbano, com o Hezbollah disparando mísseis contra Israel, que por sua vez se veria obrigado a retaliar, como fez na Síria — diz ele.

Horas após o que descreveu como um ataque com cerca de 20 foguetes iranianos contra suas forças nas Colinas de Golã — território sírio cuja conquista por Israel em 1967 não é reconhecida internacionalmente — o governo israelense utilizou 28 aviões e disparou 70 mísseis contra as posições do Irã na Síria, no maior ataque do país ao vizinho desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973.

Embora tenha destacado que a ação militar se concentrou exclusivamente na infraestrutura iraniana, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou que retaliará ações do Exército sírio contra o país. E enviou um claro aviso ao Irã, a quem acusou de “cruzar uma linha vermelha”.

— Estamos em uma campanha prolongada e nossa política é clara: não autorizaremos o Irã a se estabelecer militarmente na Síria.

Já o Irã negou qualquer participação no bombardeio às Colinas de Golã, e o presidente Hassan Rouhani afirmou que o país não busca “novas tensões no Oriente Médio”.

— O Irã não tem qualquer ligação com os mísseis disparados contra Israel. Se estivesse por trás disso, teria anunciado imediatamente — reforçou o vice-comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami. — O Irã não tem presença militar na Síria. Foi o Exército sírio que disparou os mísseis.

De acordo com o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, o ataque atingiu “praticamente toda a infraestrutura iraniana na Síria”. Os bombardeios israelenses atingiram radares, depósitos de munição e bases aéreas, matando pelo menos 23 combatentes — cinco soldados sírios e 18 membros das forças aliadas ao regime — informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

— Eles devem se lembrar que uma chuva aqui (Israel) será respondida com uma tempestade — ameaçou Lieberman. — Espero que tenhamos encerrado esse capítulo e que todos tenham entendido a mensagem.

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