O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram acusados nesta quinta-feira, 8, nos Estados Unidos, de conspiração para cometer tortura. A nova acusação foi incluída em uma denúncia apresentada à Justiça federal de Manhattan e se soma às acusações de tráfico de drogas que o casal já enfrenta.
Segundo os promotores americanos, Maduro e Flores participaram de ações de tortura contra opositores políticos e cidadãos americanos para manter o controle sobre o governo venezuelano.
Maduro, de 63 anos, e Cilia, de 69, foram capturados em 3 de janeiro, em Caracas, durante uma operação militar dos Estados Unidos, e levados a Nova York para responder às acusações de tráfico de drogas. Os dois se declararam inocentes e estão presos no Brooklyn Metropolitan Detention Center. O julgamento está marcado para 1º de junho de 2027.
A denúncia, segundo informações da agência Reuters , cita episódios envolvendo um militar venezuelano e um cidadão americano. No primeiro caso, ocorrido em 2013, promotores afirmam que Maduro ordenou a prisão de um oficial suspeito de planejar um golpe. Segundo a acusação, agentes de contrainteligência interrogaram o militar com choques elétricos e o mantiveram suspenso pelas mãos e pelos pés.
Em outro episódio, em 2022, um cidadão americano detido ao entrar na Venezuela foi acusado de conspirar para assassinar Maduro. De acordo com os promotores, ele sofreu agressões e choques elétricos durante a prisão.
Os advogados de Maduro não comentaram a nova acusação.
Durante audiência nesta quinta-feira, 8, sobre um pedido de liberdade de Cilia, o advogado Mark Donnelly afirmou que ainda não havia tido tempo de discutir a nova acusação com a cliente. Ela não foi chamada a se declarar sobre a nova denúncia.
A ex-procuradora-geral da Venezuela pede para deixar a prisão por motivos de saúde e realizar um procedimento cardíaco. A defesa propôs que ela fique em uma residência na região de Nova York, sob segurança privada 24 horas por dia.
Os promotores são contra a soltura e alegam que Cilia recebe atendimento médico adequado, além de representar risco de fuga e de intimidação de testemunhas. O juiz Alvin Hellerstein afirmou que ela parecia relativamente saudável durante a audiência.
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