BRASÍLIA — Um dia depois de o governo norte-americano reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e ir contra as orientações da comunidade internacional, anunciando a mudança da embaixada dos Estados Unidos para a cidade, o Itamaraty divulgou uma nota, nesta quinta-feira, indo na direção contrária do presidente Donald Trump.
O governo brasileiro diz que o entendimento sobre o "status final" da cidade de Jerusalém, que está no centro das negociações de paz entre Israel e palestinos, deve ser definido de forma a assegurar que ambos vivam "em paz e segurança" na lógica das fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional. O Itamaraty lembra ainda que o Brasil reconheceu o Estado da Palestina em 2010 e que mantém relações diplomáticas com Israel desde 1949.
"O governo brasileiro reitera seu entendimento de que o status final da cidade de Jerusalém deverá ser definido em negociações que assegurem o estabelecimento de dois estados vivendo em paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas e com livre acesso aos lugares santos das três religiões monoteístas, nos termos das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como a resolução 478 de 1980, entre outras. Recorda, ainda, que as fronteiras entre os dois estados deverão ser definidas em negociações diretas entre as partes tendo por base a linha de junho de 1967.O Brasil mantém relações diplomáticas com Israel desde 1949 e reconheceu o Estado da Palestina em 2010", diz a nota divulgada pelo governo.
Antes o anúncio, Trump foi alvo de forte pressão para que não tomasse tal passo, que pode causar instabilidade nas negociações de paz entre Israel e palestinos e que foi criticado por líderes de vários países e organizações.

