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Itália suspende livre circulação de Schengen com Espanha por crise migratória em Ceuta

Estadão

Seguindo o movimento de cerca de 50.000 migrantes do Marrocos que entraram em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, a Itália determinou a suspensão do trânsito comum no espaço Schengen, que permite a livre circulação em uma série de territórios europeus. "A suspensão temporária do Acordo de Schengen com a Espanha é uma escolha necessária para salvaguardar a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras europeias. Uma medida prevista nos tratados e que se tornou inevitável hoje", escreveu o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, em uma postagem no X.

"Esta é uma medida extraordinária, adotada para proteger a segurança nacional e prevenir potenciais repercussões para o nosso país. A medida será mantida apenas pelo tempo necessário, com especial atenção à minimização de qualquer impacto nos fluxos turísticos de verão. Ao mesmo tempo, a Itália está pronta para apoiar qualquer iniciativa europeia que auxilie as instituições espanholas a restabelecer o controle total das fronteiras externas da União e a enfrentar com firmeza a situação atual", escreveu a presidente do Conselho de Ministros da Itália, Giorgia Meloni.

Além de Roma, o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, anunciou que ordenou o reforço dos controles na fronteira com a Espanha. Na mesma rede social, Nuñez escreveu que unidades da polícia local e das forças armadas seriam mobilizadas para as fiscalizações e comentou, em entrevista à emissora de rádio RTL, que estava em contato com as autoridades espanholas. "Temos uma unidade móvel em serviço 24 horas por dia", disse.

Por sua vez, no governo de Madri, a resposta é de que "quase todos os que entraram em Ceuta já retornaram a Marrocos. Não é possível viajar de Ceuta e Melilla para o continente sem se identificar em um posto de controle policial. A integridade do espaço Schengen está absolutamente garantida. Basta de confusão egoísta", escreveu no X o ministro das relações exteriores da Espanha, José Manuel Albares.

O presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que "solidariedade e empatia são opcionais. O respeito pelos tratados e dados europeus, não". A isso, ele citou dados sobre a entrada irregular em território europeu desde 2021 que colocam a Itália à frente da Espanha.

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