JERUSALÉM — O governo de Israel segue sob forte pressão após a morte de oito pessoas em enfrentamentos com palestinos, motivados pela instalação de detectores de metais nas entradas da Esplanada das Mesquitas — terceiro local mais sagrado para os muçulmanos —, conhecida como Monte do Templo pelos judeus. Autoridades israelenses admitiram que as medidas de segurança podem ser revistas, mas detectores continuam até que uma alternativa seja encontrada.
— Estamos examinando outras opções e alternativas que possam garantir a segurança — afirmou neste domingo o general Yoav Mordechai, chefe da agência do Ministério da Defesa encarregada dos civis nos territórios palestinos.
Contudo, o ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan, comentou logo em seguida que segue defendendo a presença dos detectores de metais até que uma alternativa satisfatória seja encontrada. Neste domingo, em um dos acessos ao local sagrado os detectores continuavam, mas câmeras de segurança foram instaladas, o que pode supor uma alternativa.
As medidas foram implantadas pelo governo israelense após um , no último dia 14. Segundo as autoridades, o local sagrado, que abriga a Mesquita de Al Aqsa e a Cúpula da Rocha, teria sido usado para esconder as armas. Mas a restrição no acesso provocou a ira dos palestinos, que interpretaram a medida como um movimento de Israel para aumentar o seu controle sobre a área.
Na sexta-feira, Israel , onde está a Esplanada das Mesquitas, mas os confrontos se espalharam por Jerusalém Oriental, ocupada por Israel, e pela Cisjordânia, deixando três palestinos mortos. Mais tarde, durante a noite de sexta-feira, um palestino invadiu uma casa num assentamento judaico na Cisjordânia e .
No sábado ocorreram novos confrontos. Palestinos lançaram pedras e coquetéis molotov quando o exército israelense usou uma grua para bloquear a aldeia do atacante palestino, na Cisjordânia. Em Jerusalém Oriental e outras regiões palestinas também foram registrados confrontos, que terminaram com dois palestinos mortos.
Neste domingo, as forças de segurança anunciaram a prisão de 25 membros do Hamas, que governa a Faixa de Gaza. As detenções aconteceram na Cisjordânia, como medida preventiva contra “as tensões no entorno do Monte do Templo”. Além disso, um míssil foi disparado da Faixa de Gaza, mas explodiu em pleno voo, sem deixar feridos.
A mais grave escalada da violência dos últimos anos teve repercussão internacional. O para esta segunda-feira, após uma solicitação feita por França, Suécia e Egito para avaliar a situação na região. Já o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Gheit, acusou Israel de “brincar com fogo” com as novas medidas de segurança.
“Jerusalém é uma linha vermelha que Muçulmanos e Árabes não podem permitir que seja ultrapassada, e o que está acotecendo hoje é uma tentativa de impor uma nova realidade na Cidade Sagrada”, afirmou Gheit, em comunicado divulgado neste domingo. “O governo de Israel está brincando com fogo e arriscando uma crise grave com o mundo Árabe e Islâmico”.
Alarmado pelo avanço da violência, o Papa Francisco pediu por diálogo e moderação para que a paz seja restaurada.
— Estou acompanhando com receio a grave tensão e violência nos últimos dias em Jerusalém. Sinto a necessidade de expressar um apelo sincero por moderação e diálogo — afirmou Francisco, em discurso neste domingo, na Praça São Pedro, no Vaticano, pedindo orações para que todos os lados envolvidos apresentem propostas de “reconciliação e paz”.

