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Iraque renova Parlamento em eleição sob influência de EUA e Irã

Por Folha de São Paulo

11/11/2025 19h15 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Milhares de iraquianos foram às urnas nesta terça (11) para escolher os 329 integrantes do Parlamento. O pleito, o sexto desde a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, ocorreu sob forte vigilância internacional e pode definir o rumo de um país dividido entre as influências de Washington e Teerã.

O primeiro-ministro, Mohammed Shia al-Sudani, busca um segundo mandato e é apontado como o favorito, mas deve ficar longe de conquistar maioria absoluta. A previsão é de meses de negociações entre partidos xiitas, sunitas e curdos para a formação de um novo governo e a escolha do premiê.

Segundo a Comissão Eleitoral, 54% dos eleitores compareceram às urnas —o país não tem voto obrigatório. Os resultados preliminares devem ser divulgados em até 48 horas, e o resultado final é esperado para a próxima semana.

Sudani votou em Bagdá, empurrando a cadeira de rodas da mãe, e afirmou que o pleito reafirma o "princípio da transferência pacífica de poder" no novo sistema político iraquiano.

Apesar do discurso do premiê, o desânimo de parte da população com o processo democrático era evidente. "Não votarei em políticos corruptos ou líderes de milícias", disse à agência Reuters Salih Abdul Hassan, 64, advogado da cidade de Basra. "Não quero ser cúmplice dos crimes deles nos próximos quatro anos."

As eleições ocorreram sem a participação do influente clérigo xiita Moqtada al-Sadr, que convocou seus seguidores a boicotar a votação. A ausência de seu movimento, que conta com centenas de milhares de apoiadores, pode ter contribuído para diminuir a taxa de comparecimento.

Em Bagdá, as ruas decoradas com cartazes eleitorais estavam quase desertas, com pouca movimentação além da presença de forças de segurança, segundo a Reuters. "A cada quatro anos, a história se repete. Não vemos rostos novos nem energia para transformações", disse à AFP o estudante Al Hassan Yasin.

Ainda assim, mais de 7.700 candidatos concorreram, um terço dos quais eram mulheres. Apenas 75 são independentes —número baixo diante de uma lei eleitoral que, segundo críticos, favorece partidos tradicionais.

Desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, o Iraque tenta consolidar um sistema político em que há repartição de poder entre grupos religiosos e étnicos: o primeiro-ministro é xiita, o presidente do Parlamento é sunita e o presidente da República é curdo. Essa estrutura ajudou a conter tensões sectárias, mas também cristalizou a influência de elites políticas e milícias que controlam o Estado.

O país de 46 milhões de habitantes tem infraestrutura precária, serviços públicos deficientes e corrupção endêmica. Jovens, que representam a maioria da população, manifestam frustração com a falta de empregos e perspectivas.

O novo governo terá de equilibrar a relação entre EUA e Irã, lidar com grupos armados alinhados a Teerã e responder à pressão de Washington para que essas milícias sejam desmobilizadas. Ao mesmo tempo, dizem especialistas, será pressionado a entregar melhorias concretas na vida cotidiana e evitar novos protestos populares como os que tomaram as ruas em 2019 e 2020.


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