O governo do Irã anunciou nesta quinta-feira (12) que vai aumentar "significativamente" a produção de urânio enriquecido, a poucos dias de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear do país. A decisão representa um confronto direto com os interesses americanos, que querem limitar a capacidade nuclear iraniana.
O anúncio veio logo após o conselho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, aprovar uma resolução que acusa o Irã de violar suas obrigações de não proliferação nuclear — a primeira em quase 20 anos. O governo iraniano classificou a medida como "política" e reafirmou que, mesmo que suas instalações sejam destruídas, o conhecimento técnico para reconstruí-las permanece.
"Se destruírem nossas instalações, nós as reconstruiremos. Essas capacidades existem em nossas mentes", disse o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian.
O país também revelou ter concluído a construção de um novo centro de enriquecimento em “local seguro”, que será ativado nos próximos dias. O local vai operar com centrífugas de sexta geração, substituindo as antigas. A medida, segundo autoridades iranianas, deve aumentar drasticamente a produção de material enriquecido.
As declarações aumentam a tensão antes da sexta rodada de negociações entre Irã e EUA, marcada para domingo (15), em Omã. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a nova resolução da AIEA "complica ainda mais o diálogo" e prometeu defender "os direitos do povo iraniano" nas conversas.
Israel, rival histórico do Irã, pediu uma reação internacional "decisiva" e alertou para a escalada. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou agir de forma "mais agressiva" se o país for atacado.
Atualmente, o Irã enriquece urânio a 60% — bem acima do limite de 3,67% previsto no acordo de 2015, mas ainda abaixo dos 90% necessários para uma bomba atômica. Washington considera esse avanço uma "linha vermelha", enquanto Teerã afirma que o tema é "inegociável".
Desde abril, Irã e Estados Unidos vêm mantendo conversas indiretas para tentar restaurar o pacto nuclear de 2015, do qual o presidente Donald Trump retirou os EUA em 2018. Nos últimos dias, Trump voltou a ameaçar com ações militares, mas também admitiu ter barrado um ataque israelense a instalações nucleares iranianas para manter aberta a via diplomática.

