Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 9 Jun (Reuters) - Autoridades israelenses estão diretamente envolvidas nos ataques de colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinos na Cisjordânia ocupada enquanto as forças de segurança israelenses oferecem proteção aos colonos, afirmou uma investigação da ONU nesta terça-feira.
O relatório da Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado constatou que as autoridades israelenses possibilitaram os ataques de colonos por meio de apoio financeiro e militar, em um clima de impunidade fomentado por órgãos judiciais e de aplicação da lei. O relatório também apontou que o grupo militante palestino Hamas cometeu crimes de guerra contra palestinos e israelenses.
O gabinete do primeiro-ministro israelense e as Forças Armadas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário, assim como o Hamas.
O relatório afirmou que os ataques de colonos israelenses a vilas palestinas e terras agrícolas cresceram desde 2023, com um aumento de 130%, incluindo incidentes envolvendo grupos de agressores mascarados. As forças de segurança israelenses acompanhavam rotineiramente os colonos e atuavam como um escudo para a violência, segundo o relatório.
Israel rejeita acusações de que suas tropas protegem colonos durante ataques a palestinos na Cisjordânia, alegando que tais ações são incidentes isolados que violam o protocolo militar e são investigados. Grupos de direitos humanos israelenses e palestinos afirmam que tais investigações raramente resultam em punições.
Centenas de milhares de colonos israelenses vivem entre milhões de palestinos em terras que Israel conquistou na guerra de 1967. A maioria dos países considera esses assentamentos uma violação do direito internacional, posição confirmada em uma decisão de 2024 da principal corte da ONU. Israel contesta isso, citando laços históricos e bíblicos com a terra.
Pelo menos sete palestinos foram mortos e 832 ficaram feridos no ano passado, com a violência se estendendo até 2026 na forma de ataques quase diários, segundo as Nações Unidas.
“A crescente participação das forças de segurança israelenses nos ataques dos colonos equivale a um colapso de facto da distinção entre colonos e soldados”, concluiu o relatório.
A comissão documentou casos de agressões, sequestros e abusos contra crianças palestinas por colonos.
VIOLAÇÕES DO HAMAS
O relatório ressalta alarme com os graves abusos documentados na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas.
A comissão constatou que forças afiliadas ao Hamas estiveram envolvidas em pelo menos 60 dos 249 casos documentados de execuções e violência física grave entre 2024 e 2025, incluindo espancamentos com tubos de metal e quebra de ossos como punição por suposta colaboração com Israel ou saques de ajuda humanitária.
Em dois casos, 11 homens foram executados publicamente. A Comissão afirmou que esses atos constituem crimes de guerra e violações do direito internacional.
A comissão concluiu que os ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, perpetrados pelo Hamas e outros grupos armados — que mataram 1.200 pessoas e envolveram a tomada de reféns e a destruição de propriedades — constituíram crimes de guerra. Os ataques precipitaram um ataque israelense a Gaza que matou dezenas de milhares de palestinos e destruiu grande parte do território.
(Reportagem adicional de Rami Ayyub em Jerusalém, Nidal al-Mughrabi no Cairo e Ali Sawafta em Ramallah)



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