LIMA — O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynki, declarou nesta sexta-feira que uma equipe de médicos avaliará a saúde do ex-presidente Alberto Fujimori para determinar se um indulto humanitário a ele será ou não concedido pelo governo antes do fim do ano. O ex-chefe de Estado, de 78 anos, cumpre desde 2007 uma pena de 25 anos como autor de crimes de violação de direitos humanos cometidos no marco da guerra contra o terrorismo durante sua gestão, de 1990 a 2000.
— Isso não é um indulto, é um perdão médico. Isso será exclusivamente determinado pela opinião dos médicos de primeiro nível, que avaliarão qual é o estado de saúde do ex-presidente Fujimori. Não é nada mais do que isso — disse Kuczynski à rádio RPP sobre o tema que divide o Peru. — A medicina não tem prazo, mas eu penso que antes do fim do ano podemos definir isto com as opiniões dos profissionais, se seguirá a recomendação médica.
Kuczynski assegurou há duas semanas, em meio a uma crise de governabilidade, que o momento de avaliar o indulto havia chegado. Essa frase desatou protestos dos setores que o levaram ao poder, que organizaram manifestações contra a declaração. O presidente descartou que a reunião marcada para a próxima terça-feira com a líder da oposição e filha do presidente, Keiko Fujimori, abordará o indulto a seu pai.
— Não creio que vamos falar do tema do indulto com a senhora Fujimori — afirmou Kuczynski.
Keiko Fujimori incentiva o presidente a extinguir a pena do seu pai, mas negou que vá utilizar o indulto como moeda de troca para baixar a pressão que exerce com sua maioria parlamentar no Congresso contra o frágil governo de Kuczynski. Por sua parte, o deputado Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-presidente, mantém a esperança de uma libertação.
— Como filho eu gostaria de ter o meu pai ao meu lado agora — comentou em entrevista à rádio RPP.
Fujimori cumpre sentença pela responsabilidade na morte de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos e La Cantuta. A saúde de Fujimori deteriorou-se nos últimos três anos. Suas visitas a hospitais são recorrentes por problemas de coluna, hipertensão, depressão e uma lesão cancerígena na língua que já o fez ser operado cinco vezes e requere avaliação periódica.
Em 2013, o governo de Ollanta Humala negou o indulto humanitário ao ex-presidente, assegurando que seu estado de saúde não era grave. Em maio, Kuczynski apoiou a prisão domiciliar através de uma lei que beneficie presos maiores de 75 anos com problemas de saúde. Porém, a maioria parlamentar fujimorista rechaçou a proposta e insistiu em pedir o indulto.

