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Incêndios florestais ameaçam Bordeaux enquanto Espanha enfrenta mais queimadas

Reuters
Incêndios florestais ameaçam Bordeaux enquanto Espanha enfrenta mais queimadas
Incêndios florestais ameaçam Bordeaux enquanto Espanha enfrenta mais queimadas

Por Janis Laizans e David Latona

BORDEAUX/MADRI, 27 Jul (Reuters) - Os bombeiros combateram nesta segunda-feira enormes incêndios florestais que ameaçavam a cidade e a região vinícola de Bordeaux, na França, enquanto equipes na Espanha se esforçavam para controlar uma série de incêndios florestais que assolavam o país desde a semana passada, resultado de um verão extremamente quente e seco na Europa Ocidental.

Cerca de 220 mil pessoas, incluindo turistas e moradores locais, foram retiradas na França, enquanto na vizinha Espanha quase 100 mil foram orientadas a deixar suas casas, informaram as autoridades.

Os incêndios na França, que começaram na semana passada perto da costa atlântica, estão agora a apenas 15 quilômetros dos pontos de acesso à principal área metropolitana de Bordeaux.

“Este é um incêndio de uma magnitude nunca vista antes”, disse Jérôme Steffe, prefeito de Cestas, nesta segunda-feira. Cestas é um dos subúrbios nos arredores da área central de Bordeaux.

A propagação dos grandes incêndios que convergem para o centro da Espanha diminuiu durante a noite graças a condições climáticas mais favoráveis, informaram as autoridades, mas um incêndio isolado na província de Castellón, no leste do país, continuou fora de controle, enquanto a agência meteorológica alertou para outra possível onda de calor nesta semana.

“O que estamos vivendo não é uma sucessão de eventos isolados. É a expressão mais dolorosa de uma emergência climática que está tornando os incêndios florestais de sexta geração mais ferozes, as ondas de calor mais frequentes e nosso território mais vulnerável”, afirmou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, nesta segunda-feira.

Os chamados incêndios de sexta geração são a categoria mais extrema e incontrolável de incêndios florestais, capazes de gerar seu próprio clima e destruir milhares de hectares por hora. Muitos cientistas atribuem esses incêndios e ondas de calor às mudanças climáticas causadas pelo homem.

Maria Angeles Serrano, que foi retirada em Castellón, disse que temia pela natureza que está sendo devastada: “Os danos materiais são uma coisa, mas isso pode ser reparado, por assim dizer. O que realmente dói é a perda emocional.”

IMPACTO ECONÔMICO

Os incêndios florestais nos arredores de Bordeaux, no sudoeste da França, causaram um choque na economia regional, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Finanças, Roland Lescure. A região é um dos centros da produção vinícola francesa e um importante polo turístico.

“É como um estrondo de trovão para uma região que poderia ter passado sem isso”, disse Lescure aos repórteres.

O governo do presidente da França, Emmanuel Macron, deve discutir a situação dos incêndios florestais em uma reunião de gabinete na segunda-feira.

No centro da Espanha, três frentes de incêndio distintas permaneciam ativas nas montanhas a noroeste de Madri. As autoridades estimam que, até o momento, um total de 77 mil hectares foi queimado nos incêndios nas províncias de Madri, Toledo e Ávila. O incêndio em Ávila foi classificado como o maior da história recente da Espanha.

“Hoje e amanhã são dias absolutamente cruciais no combate a esse incêndio florestal. A partir de quarta-feira, as previsões meteorológicas se tornam significativamente mais desfavoráveis para as operações de combate ao fogo, mas continuamos confiantes”, disse o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska.

A França enfrentou uma situação semelhante, com condições mais favoráveis nesta segunda-feira, antes que as temperaturas voltem a subir para até 37°C no final desta semana na região de Bordeaux, de acordo com as previsões do serviço meteorológico francês.

“É uma corrida contra o tempo antes que a onda de calor retorne”, disse o prefeito de Cestas, Steffe.

Tanto em Bordeaux quanto em Ávila, as temperaturas máximas de julho ficaram em média em 32 graus Celsius, quase 6°C acima da média normal do mês entre 1961 e 1990, de acordo com o Reuters Climate Monitor.

(Reportagem de Sudip Kar-Gupta, Manuel Ausloos, Elizabeth Howcroft, Yves Hermann, David Latona, Emma Pinedo e Emma Farge)

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