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Incêndios aumentam na Amazônia impulsionados por El Niño e mudanças climáticas

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Incêndios aumentam na Amazônia impulsionados por El Niño e mudanças climáticas
Incêndios aumentam na Amazônia impulsionados por El Niño e mudanças climáticas

Por Bruno Kelly

AUTAZES, Amazonas, 13 Out (Reuters) - O El Niño, as mudanças climáticas e a atividade humana estão alimentando um aumento repentino de incêndios nas regiões mais remotas da Amazônia neste mês, enquanto os bombeiros correm para conter as chamas, cuja fumaça está sufocando os moradores e levando ao cancelamento de eventos nas cidades vizinhas.

Houve 1.679 incêndios no Estado do Amazonas nas duas primeiras semanas de outubro, um aumento de 253% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Os incêndios, que as autoridades suspeitam terem sido provocados propositalmente, lançaram nuvens de fumaça pelo céu e provocaram a declaração de estado de emergência em pelo menos 36 municípios do Amazonas, causando problemas respiratórios aos moradores.

"Nossa situação é crítica aqui”, disse Luiz Rios, um agricultor aposentado do município de Autazes, no Amazonas, que tem tido dificuldade para respirar à noite, o que faz com que seu rosto inche.

A má qualidade do ar causada pelos incêndios levou ao cancelamento de eventos ao ar livre em Manaus, capital do Estado e lar de mais de 2 milhões de moradores, onde as escolas públicas fecharam nesta quarta-feira.

Agosto e setembro costumam ser o auge da estação seca na Amazônia, quando os incêndios se tornam mais difíceis de controlar antes que o início da estação chuvosa, geralmente em outubro, traga alívio.

Este ano, no entanto, as chuvas têm demorado a amenizar o problema. Cientistas e autoridades apontam o fenômeno El Niño — que deve ser o mais forte já registrado — e as mudanças climáticas como fatores determinantes para o aumento dos incêndios.

“O estresse hídrico e o estresse térmico vêm com uma força muito grande e gerando um cenário potencialmente bastante perigoso, que coloca em risco, baseado em ações humanas, esta biodiversidade, a saúde das pessoas, a produtividade desses territórios e afeta pessoas que estão tanto na zona rural quanto na área urbana”, disse Carlos Durigan, geógrafo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

O governo federal e a Defesa Civil enviaram aeronaves e equipes de brigadas ao Amazonas no fim de semana para combater as chamas.

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoou o Estado no domingo e avistou incêndios dentro de florestas protegidas, o que, segundo seu ministério, aponta para incêndios criminosos deliberados com o objetivo de abrir caminho para o desmatamento.

O ministério prometeu uma investigação.

Na Amazônia, os incêndios raramente são naturais e geralmente são provocados para limpar terras para a agricultura ou a pecuária.

(Reportagem de Bruno Kelly; Reportagem adicional de Brendan O'Boyle)

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