GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - A prisão de Evin, uma das mais importantes do Irã, foi palco de um incêndio neste sábado (15), episódio que despertou preocupação internacional. Ali estão detidos, entre outros, ativistas considerados inimigos pelo regime teocrático que governa o país, bem como vários cidadãos de dupla nacionalidade.
Autoridades disseram que oito pessoas ficaram feridas, mas que as chamadas já foram controladas. À agência de notícias oficial de Teerã um agente carcerário disse que as chamas tiveram início após um tumulto interno, já contido, no local onde ficam armazenadas roupas.
Autoridades negam que o episódio esteja relacionado à onda de protestos registrada no país há um mês, desde a morte de Mahsa Amini, jovem curda que estava sob custódia da polícia por supostamente usar o hijab, o véu islâmico, de maneira incorreta.
Dizem, ainda, que prisioneiros que enfrentam acusações relacionadas a segurança estão separados daqueles que cumprem sentença por crimes comuns. Testemunhas relataram à agência Reuters que tiros foram ouvidos no local e que várias ambulâncias estavam nas ruas ao redor.
O Departamento de Estado dos EUA se manifestou durante a noite. Em um tuíte, o porta-voz Ned Price afirmou que o Irã é responsável pela segurança dos cidadãos americanos em Evin. "Eles estão indevidamente detidos; deveriam ser libertados imediatamente."
Siamak Namazi, 51, é um dos cidadãos americanos ali presos. Sentenciado a sete anos de prisão por acusações relacionadas a espionagem que ele nega -e Washington também-, Namazi retornou a Evin nesta semana após receber uma breve licença.
O ambientalista Morad Tahbaz, que além de nacionalidade iraniana e americana tem a britânica, e o empresário americano Emad Shargi também estão em Evin, assim como a jornalista Niloofar Hamedi, uma das muitas profissionais de imprensa detidas após a morte de Mahsa Amini por investigar e divulgar informações sobre o caso.
Evin é alvo recorrente de criticas de organizações que monitoram direitos humanos. A ONG Human Rights Watch (HRW) afirma que, no local, ameaças, torturas e prisões por tempo indeterminado, assim como negação de assistência médica, são relatos comuns.
"Em Evin estão muitos dos detentos e presos políticos do Irã", escreveu Andrew Stroehlein, da HRW, em uma rede social. "Os maus-tratos e a tortura lá são bem conhecidos -assim como em outras instalações de detenção administradas por esse regime abusivo."
Em 2018, a prisão foi alvo de sanções dos EUA. "Os prisioneiros detidos em Evin estão sujeitos a táticas brutais infligidas pelas autoridades, incluindo agressões sexuais, agressões físicas e choque elétrico", escreveu o Departamento do Tesouro em comunicado na ocasião.
O Centro para os Direitos Humanos do Irã, em comunicado, disse que famílias de prisioneiros que foram até a prisão em busca de informações sobre seus parentes detidos foram atacadas com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.
Relatos nas redes sociais também dão conta de que protestos foram realizados em ruas próximas, com manifestantes voltando a entoar palavras de ordem como "morte ao ditador", em referência ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.



