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'Inaceitável paralisia' do Conselho de Segurança da ONU resulta em mortes de inocentes, diz Mauro Vieira

Por Folha de São Paulo

21/02/2024 14h30 — em
Mundo



RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou o estado de paralisia do Conselho de Segurança da ONU para conter os conflitos atuais no mundo, com as guerras na Faixa de Gaza e na Ucrânia. A declaração foi dada durante o discurso de abertura da reunião de chanceleres do G20, que acontece nesta quarta-feira (21), no Rio de Janeiro.

Vieira afirmou que é dever do Grupo dos Vinte assumir o papel na mediação das crises internacionais, já que consegue reunir países de lados opostos dos conflitos em mesa de negociação. A fala do chanceler brasileiro segue a linha de defesa do governo federal pela reforma da governança global —uma das prioridades da presidência brasileira no G20.

"As instituições multilaterais não estão devidamente equipadas para lidar com os desafios atuais, como demonstrado pela inaceitável paralisia do Conselho de Segurança em relação aos conflitos em curso. Esse estado de inação implica diretamente em perdas de vidas inocentes", disse Vieira.

"Diante do quadro que vivemos, no entanto, esse grupo é, possivelmente, o fórum mais importante onde países com visões opostas ainda conseguem sentar à mesa e ter conversas produtivas sem necessariamente carregar o peso de posições arraigadas e rígidas que têm impedido avanços em outros foros, como o Conselho de Segurança das Nações Unidas", completou.

O G20 é o grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e União Africana. Este ano a presidência do fórum está com o Brasil, que estipulou três prioridades para seu mandato: além da reforma da governança internacional, há o combate à fome, pobreza e desigualdade e as três dimensões do desenvolvimento sustentável (econômica, social e ambiental).

A reunião dos chanceleres é a primeira ministerial a ser feita sob a presidência do Brasil. O tema desse encontro, que vai direcionar as negociações políticas do grupo, vai girar em torno da necessidade de mudanças nos organismos internacionais e nos conflitos em curso no mundo.

O governo brasileiro também usa o fórum para instar que países do chamado Sul Global se fortalecem. Em seu discurso, Vieira fez uma referência irônica ao fato de o Norte estar "unido em torno de uma aliança militar", em referência à Otan, enquanto o Sul, segundo ele, "é coberta por várias camadas e zonas de paz e cooperação".

"O Brasil não aceita um mundo em que as diferenças são resolvidas com o uso da força militar. Uma parcela muito significativa do mundo fez uma opção pela paz e não aceita ser envolvida em conflitos impulsionados por nações estrangeiras. O Brasil rejeita a busca de hegemonias, antigas ou novas. Não é do nosso interesse viver em um mundo fraturado", disse o chanceler brasileiro.


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