A imprensa internacional tem acompanhado de perto os depoimentos no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionados às investigações sobre tentativa de golpe de Estado no Brasil. Entre os réus que prestam depoimento nesta semana está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A rádio pública dos Estados Unidos, NPR, classificou o julgamento como "histórico" e destacou que esta é a primeira vez em que um ex-chefe de Estado brasileiro é julgado por tentar reverter o resultado de uma eleição democrática. A emissora também apontou que os interrogatórios estão sendo conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Segundo a NPR, Moraes é uma figura central no processo e alvo de críticas por parte de aliados de Bolsonaro, como Elon Musk e o presidente Donald Trump, por sua atuação contra desinformação e discursos antidemocráticos.
O jornal Washington Post também noticiou o depoimento de Bolsonaro com base em reportagem da agência Associated Press (AP). O ex-presidente foi descrito como um político de “direita radical” e um ex-militar “saudosista da ditadura”. A matéria reforça que ele negou ter articulado qualquer plano de golpe e destacou declarações de juristas brasileiros sobre a relevância do julgamento.
Já o britânico The Guardian publicou reportagem na segunda-feira (10), ressaltando que o STF tenta desvendar o que seria um plano de três anos para sabotar a democracia brasileira. O jornal afirma que há um consenso entre especialistas sobre a possibilidade de condenação de Bolsonaro ainda este ano, embora haja dúvidas sobre o cumprimento efetivo de uma eventual pena.
Na Argentina, o jornal Clarín destacou o depoimento do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. O título da matéria indica que as declarações de Torres, ao admitir que propostas de golpe eram recorrentes, complicam a situação jurídica de Bolsonaro.
O julgamento segue no STF, com novos depoimentos previstos para os próximos dias.


