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Homenagens a jornalista da AFP morto no Afeganistão pelo talibã

Cabul (AFP) - Jornalistas prestaram homenagens nesta sexta-feira a Sardar Ahmad, colega afegão que trabalhava no escritório da AFP em Cabul, morto na noite desta quinta-feira com a mulher e dois filhos durante um ataque talibã a um hotel da capital afegã.

Os corpos de Sardar, de sua esposa e de seus dois filhos mais velhos - uma menina de cerca de seis anos e um menino de três anos - foram identificados nesta sexta-feira por um fotógrafo da AFP. O terceiro filho do casal, um menino de 18 meses, continua hospitalizado em estado grave.

Outras seis pessoas, incluindo um diplomata paraguaio, morreram no ataque talibã contra um prestigiado hotel de Cabul, a duas semanas da eleição presidencial no Afeganistão.

Na noite de quinta-feira, quatro jovens talibãs conseguiram ultrapassar os controles de segurança do hotel Serena, um estabelecimento muito frequentado por estrangeiros na capital afegã, com pistolas escondidas em suas meias.

Estes jovens abriram fogo por volta das 20h30 locais contra os clientes do hotel, onde alguns comemoravam o ano novo afegão.

Sardar Ahmad, de 40 anos, trabalhava para a AFP desde 2003, quando foi contratado para acompanhar a coalizão militar liderada pelos Estados Unidos que expulsou os talibãs do poder no final de 2001.

Nos últimos dez anos, o jornalista assinou dezenas de reportagens sobre a vida dos afegãos após os talibãs, o boom do ópio, os desafios do Afeganistão em sua reconstrução, as eleições presidenciais de 2004 e 2009, entre outros temas, sempre com o mesmo olhar aguçado e cheio de Humanidade.

À margem de seu trabalho na AFP, este jornalista especializado em questões de segurança e conhecido por sua precisão, retidão e reportagens cheias de vida fundou a Pressistan, uma agência de notícias local que também fornecia serviços de tradução aos jornalistas estrangeiros de passagem pelo Afeganistão.

"É uma dor imensa e uma grande perda para a Agence France-Presse", declarou o diretor-geral da AFP, Emmanuel Hoog. "Sardar Ahmad, jornalista corajoso, era uma peça fundamental de nossa equipe no Afeganistão que assegurava, a cada dia, uma cobertura excepcional da atualidade deste país em condições extremamente difíceis", acrescentou.

"É com o apoio de jornalistas como Sardar que a imprensa internacional pode cobrir a tragédia afegã. Sem dúvida, toda a Agência e sua rede em todo o mundo estão de luto hoje", ressaltou Philippe Massonnet, diretor de Informação da AFP.

"Sardar provou, em diversas ocasiões, toda a sua coragem para exercer seu trabalho com a maior objetividade, apesar de todos os riscos", acrescentou Gilles Campion, diretor da AFP para a Ásia.

O presidente afegão Hamid Karzaï denunciou a morte de um "brilhante jornalista".

À margem do conflito armado, Sardar Ahmad, que era dotado de um humor contagiante, descrevia com prazer as tendências da sociedade afegã e não hesitava em denunciar o triste destino das crianças em certas regiões isoladas do país.

Em sua última reportagem, Ahmad retratava a nova vida de Marjan, um filhote de leão resgatado por um zoológico de Cabul, depois de passar meses no terraço de um rico empresário da capital.

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ao menos 19 profissionais da imprensa foram mortos no Afeganistão desde 2002. Na semana passada, Nils Horner, repórter da rádio pública sueca, foi morto por homens armados no centro de Cabul.

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