LONDRES - Hackers muçulmanos invadiram a rede de propaganda do Estado Islâmico (EI) e publicaram uma lista com quase dois mil endereços de e-mail de assinantes, no mais recente revés do “califado”. Após vários ataques cibernéticos e derrubada de páginas online contra a Amaq, a “agência de notícias” do EI, o grupo divulgou uma nota na sexta-feira, informando que havia elevado sua segurança contra hackers.
“Em reação a eventos recentes, adotamos medidas de segurança mais estritas nos nossos sistemas”, afirma o e-mail do EI, em árabe. “Podemos agora lidar com os ataques por e-mail ou qualquer tipo de hackeamento”.
Para o coletivo islâmico de hackers, chamado Di5s3nSi0N, que anteriormente havia desativado o serviço de e-mail no mês passado, a nota foi um “desafio aceito”. Menos de três horas mais tarde, outro e-mail foi enviado para os assinantes do Amaq, mas desta vez exibindo o logo dos hackers e um alerta: “Hackeamos completamente a lista “segura” da Amaq. EI... devemos chamá-los de cães por seus crimes ou serpentes por sua covardia? Nos somos os bugs em seu sistema.”
O e-mail continha uma lista de 1.784 endereços de e-mails de assinantes, que foram parcialmente redigidos, mas confirmados pelo “Independent”.
“Desafio completado — muito fácil!”, escreveram os ativistas do Di5s3nSi0N no Twitter. “Dois mil assinantes da Amaq hackeados... o que mais?”
A Amaq é um dos principais porta-vozes do EI, emitindo reivindicações de atentados terroristas bem como as novidades nas várias frentes de batalha em Oriente Médio, África e Ásia.
O aumento da repressão forçou o site da Amaq a abandonar as principais plataformas e se transferir para sites efêmeros e serviços de mensagens encriptadas. Seu serviço automático de e-mail era um dos últimos canais confiáveis de informação do EI.
Os ataques cibernéticos desativaram as atualizações do atual site da Amaq, sua conta Tumblr perdeu validade e a única plataforma que ainda consegue operar era o serviço de mensagens Telegram.
Assim como o último território dominado pelo EI na Síria foi retomado do controle dos militantes esta semana, após ofensiva de forças sírias, governos e ativistas estão atacando sua sofisticada rede de mídia.
O ataque do Di5s3nSi0N faz parte de sua campanha #silencetheswords (silencie as espadas), cujo ápice, segundo o coletivo, ocorrerá na próxima semana.

