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Guinada de Trump no Afeganistão é criticada

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WASHINGTON e CABUL — A aguardada estratégia do governo de Donald Trump para o Afeganistão, anunciada na noite de segunda-feira, pareceu vaga, segundo analistas, mostrando que os EUA ainda não sabem o que fazer com a guerra iniciada há quase 16 anos e que entrou em seu terceiro governo, depois de George W. Bush e Barack Obama. Em seu anúncio, Trump não disse quantos soldados enviaria, por quanto tempo e com qual missão, mas um funcionário de alto escalão do governo revelou que o presidente autorizou o Pentágono a enviar até 3.900 soldados — efetivo que se somaria aos 8.400 militares já presentes no país.

Embora não seja uma alta espetacular — os EUA já contaram com até cem mil soldados — trata-se de uma mudança de tendência em relação aos últimos anos. Para vários especialistas, no entanto, não se trata de uma nova abordagem, mas de “medidas já testadas no passado”. Outros, lembram que mesmo uma pequena diferença no número soldados poderia complicar a posição americana.

— É um plano provisório para conter a guerra e os avanços dos talibãs — afirmou o analista afegão Feda Mohammad.

Para James Der Derian, do Centro de Estudos de Segurança Internacional da Universidade de Sydney, a nova política pode aumentar as vítimas entre civis:

— A estratégia consiste em adaptar os meios aos objetivos. A menos que se queira enviar 300 mil soldados, não se pode preencher esse vazio. É a dura realidade de Afeganistão, Iraque e das insurreições em geral. Os talibãs sobreviveram a coisas piores.

O chefe de Estado reverteu sua promessa de retirar rapidamente os soldados americanos do território afegão, prometida após a posse, e prometeu endurecer a campanha militar contra insurgentes talibãs. Um alto comandante dos extremistas disse à AFP que Trump se limita a perpetuar a “conduta arrogante” dos presidentes anteriores.

— Simplesmente estão desperdiçando soldados americanos. Sabemos como defender o nosso país — disse. — A nova estratégia não vai mudar nada.

O site de notícias “Politico” destacou que faltam ideias — e a única diferença dos governos anteriores é a retórica inflamada de Trump. E até o conservador “Breibart”, do antigo aliado Steve Bannon — demitido há menos de uma semana do posto de estrategista-chefe de Trump — criticou o anúncio.

Entre aliados, no entanto, a estratégia foi bem recebida. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que o grupo de apoio militar não permitirá que o Afeganistão se transforme num “refúgio para terroristas” e elogiou a decisão do presidente de enviar mais tropas com apoio financeiro da organização. O presidente afegão, Ashraf Ghani, também aplaudiu o “compromisso duradouro” dos EUA no país.

Já a Rússia criticou o anúncio e indicou que não crê que a estratégia leve a mudanças positivas significativas no país, segundo fontes da Chancelaria.

O Paquistão, por sua vez, expressou sua “decepção” com os EUA e reiterou que não permite o uso do seu território, depois que o presidente americano advertiu que o país tem “muito a perder” se continuar “abrigando organizações terroristas”. E o Talibã disse que o Afeganistão se transformará num “novo cemitério” para os EUA caso não retirem suas tropas rapidamente: “Os governantes americanos devem saber disso”, afirmou Zabiullah Mujahid, porta-voz talibã no Afeganistão, em nota.

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