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Governo venezuelano prende 11 diretores do maior banco privado do país

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CARACAS — Autoridades venezuelanas anunciaram nesta quinta-feira a prisão de 11 altos executivos do maior banco privado do país, o Banesco, por “ataques contra a moeda”, na última ação do governo de Nicolás Maduro contra o setor privado, acusado frequentemente de fomentar a crise econômica no país. O procurador-geral Tarek William Saab anunciou as prisões na TV estatal, graças a “relatórios inconsistentes” sobre atividades suspeitas e um suposto envolvimento do banco com uma rede financeira dedicada ao contrabando de notas para a Colômbia. Entre os detidos estão o CEO do banco, Oscar Doval, três vice-presidentes e um consultor jurídico.

— Determinamos a responsabilidade presumida (dos executivos) por uma série de irregularidades, por ajudar e esconder ataques contra a moeda venezuelana com o objetivo de destruí-la — afirmou Saab.

Saab explicou que as investigações determinaram que um grande número de contas de clientes do Banesco registrou endereços eletrônicos da Colômbia e do Panamá. As supostas irregularidades ainda incluem omissões na área de prevenção e monitoramento, como a declaração de apenas 30 contas irregulares — quando o bando tinha mais de 900 contas suspeitas.

— Esse fato é muito cirúrgico — disse o procurador-geral, descartando que as prisões possam afetar a operação do banco privado.

O Banesco conta com cerca de 6 milhões de clientes, e sua sede em Caracas — com 65 mil m² e conhecida como Cidade Banesco — é a maior de um banco na América Latina. Nas redes sociais, o banco negou as acusações: “Estamos tranquilos porque todas as nossas atuações sempre estiveram ajustadas ao direito e à legalidade. Não é correto que tenham sido detidos”.

As prisões fazem parte da Operação Mãos de Papel, que levou, nas últimas semanas, à prisão de 134 pessoas, 300 ataques e o congelamento de 1.380 contas bancárias, das quais cerca de 1.000 pertencem ao Banesco. Na quarta-feira, o vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, já havia anunciado o bloqueio de 1.133 contas do país, 90% delas do banco. Três casas de câmbio virtuais também foram fechadas. El Aissami indicou que o grupo atuou sob a “proteção do governo colombiano e do presidente Juan Manuel Santos” e em cumplicidade com membros do sistema financeiro local.

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