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Governo turco realiza nova rodada de expurgos

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ANCARA — O governo turco anunciou, neste sábado, a expulsão de quase 4 mil pessoas de cargos públicos e das Forças Armadas, na segunda leva de expurgos desde a vitória do presidente Recep Tayyip Erdogan no referendo constitucional. De acordo com um decreto publicado pelo governo, os afetados pela medida foram retirados de seus empregos por “ligações com organizações terroristas e estruturas que representam uma ameaça à segurança nacional”.

Na última quarta-feira, mais de 9 mil membros das forças policiais foram suspensos e outros mil detidos por supostas conexões com uma rede comandada pelo clérigo Fethullah Gülen, radicado nos Estados Unidos, a quem o governo turco atribui a responsabilidade pela tentativa de golpe de Estado em julho do ano passado.

Ao todo, cerca de 120 mil pessoas foram suspensas ou despedidas e mais de 40 mil foram detidas desde a quartelada, que deixou 240 mortos, a maioria deles, civis. Inicialmente, as detenções receberam a aprovação da maioria da população turca, mas desde então as críticas ao governo têm aumentado.

Em meio ao aumento das críticas em relação à postura do governo quanto à liberdade de expressão, o governo anunciou que reality shows amorosos estão banidos da programação local por — nas palavras do vice-primeiro-ministro Numan Kurtulmus — não se adequarem à cultura e à fé da Turquia.

“No rádio e na televisão, programas nos quais pessoas são levadas para encontrar amigos não podem ser produzidos”, afirma o comunicado do governo, que também proibiu propagandas de sites de relacionamentos. Horas antes, a enciclopédia virtual Wikipedia já havia sido suspensa com base numa lei que permite que sites considerados obscenos ou perigosos sejam banidos.

Erdogan é alvo de críticas da Europa há muito tempo, mas mantém uma postura desafiante.

— Nossa preocupação não é com o que George, Hans ou Helga possam dizer, mas com o que Hatice, Ayse, Fatma, Ahmet, Mehmet, Huseyin, Hasan dizem — afirmou, citando nomes próprios comuns na Turquia. — E como o que Deus diz.

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