WASHINGTON - Sobram polêmicas, faltam funcionários. O início do governo de Donald Trump está marcado por uma lenta ocupação de postos importantes do governo americano. De acordo com a ONG Parceria para o Serviço Público, dos 694 cargos que precisam passar pelo aval do Senado, Trump ainda não indicou nomes para 659 deles, incluindo funções importantes em atividades como o combate ao terrorismo, segurança interna e departamento de comércio. Algumas das pessoas que estão impedindo que o governo pare são, justamente, funcionários ligados aos democratas que foram criticados pelo republicano em sua campanha.
Após 21 dias na Casa Branca, apenas nove membros do primeiro escalão de Trump foram confirmados pelo Senado, quase um terço do registrado há oito anos: em 2009, com o mesmo tempo de governo, Barack Obama contava com 23 nomes ratificados em seu governo, inclusive chefes e subsecretários. Diariamente o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, alerta para a necessidade de acelerar as confirmações. Propagandas pagas por entidades ligadas aos conservadores alertam, em redes de TV a cabo, que é importante a aprovação rápida destes nomes. Mas parece que os senadores não estão se sensibilizando. Segundo levantamento da ONG, há no total 1.200 postos que requerem algum tipo de aval do Congresso e 4.100 nomeados de forma direta.
O site “Politico” afirma que Reince Priebus, chefe de Gabinete de Trump, está tendo dificuldade para encontrar um diretor de comunicação em tempo integral para a Casa Branca. Este cargo normalmente era disputado, mas agora, segundo o site especializado, há dificuldades em encontrar profissionais compatíveis e dois recusaram o cargo, principalmente pelas propostas polêmicas do presidente e pelo clima de guerra que há entre seus principais assessores — em alguns temas, cada um defende uma posição, sem uma orientação clara de Trump.
No entanto, Kellyanne Conway — assessora da Casa Branca que ficou marcada por defender mentiras do governo como “fatos alternativos” — afirmou em uma entrevista à FoxNews que isso é “totalmente falso” e que “conhece pessoas interessadas” na vaga, que deverá ser decidida logo.
Uma das 50 pessoas de Obama que permanecem em cargo de confiança é Brett McGurk, o enviado especial dos EUA para a coalizão que combate o Estado Islâmico. Embora Trump tenha passado a campanha criticando a estratégia que McGurk ajudou a desenvolver, não o substituiu até agora. O mesmo ocorre com Adam Szubin, cuja confirmação como subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira havia sido adiada por republicanos por mais de um ano. No Departamento de Estado, os nomes dos novos embaixadores conhecidos ainda não passaram pelo aval dos senadores. Mas a maior parte das representações importantes no exterior ainda estão sem indicados, apesar de o novo secretário de Estado, Rex Tillerson, estar no cargo há 10 dias.
— Isso é um desafio para o governo de Donald Trump. O processo de ocupação do governo está lento, mas ainda não se trata de um problema urgente. A burocracia dos órgãos está impedindo que o governo fique parado — disse Erick Langer, professor da Georgetown University, em Washington. — Acredito que a medida que os nomes dos secretários comecem a ser confirmados, a indicação de membros para o governo deve acelerar.
O professor alerta que outros presidentes, no passado, já demoraram para incluir nomes ao governo, mas que, desta vez, isso parece mais grave pela falta de experiência política do bilionário e de seus principais assessores. Para ele, isso ainda é uma herança da complexa e polêmica transição de governo entre Obama e Trump, que demorou em indicar seus secretários e optou por pessoas com pouco trânsito em Washington.

