WASHINGTON — O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira mais uma leva de documentos sobre a ditadura na Argentina, no dia em que o presidente americano, Donald Trump, recebeu o presidente argentino, Mauricio Macri, na Casa Branca. A liberação inclui mais de 900 documentos previamente confidenciais do Departamento de Estado sobre abusos de direitos humanos, fornecendo informações importantes sobre a Operação Condor.
Os registros revelam que os membros da operação consideraram a abertura de “escritórios de campo” nos Estados Unidos e na Europa e oferecem novas informações sobre o destino dos militantes desaparecidos das décadas de 1970 e 1980.
Esta é a terceira leva de registros divulgada pelo governo dos EUA, no âmbito de um compromisso firmado em março de 2016 pelo então presidente Barack Obama.
Em agosto, os primeiros documentos foram liberados, com registros de abusos de direitos humanos cometidos durante a ditadura argentina, entre 1976 e 1983. O material mostrava uma tentativa do ditador Jorge Videla de se aproximar do governo de Jimmy Carter, além do ocultamento de informações por parte de funcionários americanos sobre o que se passava durante o regime militar argentino.
Os primeiros 1.081 arquivos confidenciais foram distribuídos a organizações de Direitos Humanos e à imprensa na Casa Rosada, incluindo testemunhos de tortura, cartas de Videla a Carter e relatórios diplomáticos.
Macri foi recebido na Casa Branca por Trump, que saudou um quarto de século de amizade entre ambos e a quem definiu como “um grande líder”.
Macri e sua mulher, Juliana Awada, foram recebidos por Trump e a primeira-dama americana, Melania, e posteriormente os quatro se dirigiram ao Salão Oval para o início de uma reunião.
— Nos conhecemos há muitos, muitos anos. Há 25 anos. Nos conhecemos desde antes da política, e quem pensou que isso pudesse passar para os dois. Conheço Mauricio muito bem, é uma grande pessoa e é um grande líder — disse Trump.
Com a Argentina “seremos melhores amigos como nunca antes. Me sinto confortável apoiando Mauricio, porque sei a quem estou apoiando e Mauricio é uma pessoa que ama seu país”, acrescentou.
Macri disse que a visita tinha por objetivo “aprofundar a relação bilateral. Queremos construir relações mais fortes e no longo prazo entre ambos os países”.

