Início Mundo Governo espanhol intervém para evitar secessão catalã
Mundo

Governo espanhol intervém para evitar secessão catalã

Envie
Envie

MADRI — A guerra entre o governo central da Espanha e o da Catalunha torna-se mais acirrada à medida que se aproxima o mês de outubro, quando os independentistas catalães pretendem realizar um referendo sobre a possível secessão da região espanhola. Na quarta-feira, enquanto o Parlamento catalão aprovava uma reforma que permitirá facilitar o processo de convocação do referendo e de uma eventual independência, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, solicitou ao Conselho de Estado um parecer urgente sobre a mudança, na tentativa de barrá-la. Isso dias após Rajoy ordenar uma virtual intervenção nas finanças do governo catalão — uma medida sem precedentes.

As duas medidas são mais uma manobra do governo central para frear as aspirações dos nacionalistas catalães e se somam à determinação do Tribunal Constitucional da Espanha, que considerou ilegal a convocação do referendo sobre a independência, programado para 1º de outubro, e ordenou às autoridades da região que interrompam todos os preparativos do pleito.

Ao anunciar sua intervenção nas contas da administração catalã, Rajoy destacou que caso detecte que um euro sequer foi destinado à organização do referendo, cancelará imediatamente as transferências de fundos estatais.

— Trata-se de uma medida preventiva para evitar que o dinheiro público seja usado em atividades ilegais em lugar de servir à população — afirmou o porta-voz do governo nacional, Íñigo Méndez de Vigo, informando que membros do governo catalão terão que enviar informes semanais detalhando absolutamente todos os gastos efetuados.

Por sua vez, o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, acusa Madri de confiscar à região dinheiro arrecadado com os pagamentos de impostos de seus próprios cidadãos.

— Voltaram a pedir certificados de boa conduta, como na época de Franco — afirmou Puigdemont, em referência ao ditador Francisco Franco, que governou a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975.

No Twitter, o presidente catalão afirmou que não desistirá, e provocou o governo central:

“Os juros que pagamos para que nos dessem nosso próprio dinheiro, que eles recolhem generosamente, será todo devolvido, ministros?”, perguntou.

Um levantamento do Centro de Estudos de Opinião, pertencente à administração regional, revelou na sexta-feira que 49,4% dos cidadãos catalães — um número quatro pontos percentuais superior ao registrado em março — são contrários à independência, enquanto 41,1% defendem a secessão. No entanto, os motivos dos temores de Madri estão em um dado particular: entre os entrevistados, 48% defendem a realização de um referendo unilateral, ainda que considerado ilegal pelo governo espanhol. Dentro desse grupo, o apoio à independência tem a preferência de 62,4% dos consultados, contra 37,6% dos que votariam pelo “não”. A lei apresentada por Puigdemont não contempla um número mínimo de votantes para que o resultado de 1º de outubro seja considerado vinculante. E o presidente garante que, ainda que a independência vença por um único voto, o Parlamento regional declarará a fundação da República da Catalunha 48 horas após a apuração.

— Não temos medo da prisão, e se for preciso que façamos uma vaquinha para pagar as multas de todos aqueles que querem votar, quanto custaria? Dois euros por cabeça? Não podemos juntar esse dinheiro? — protestou Oriol Junqueras, vice-presidente do governo da Catalunha e líder da Esquerda Republicana.

Entre a oposição catalã, a aprovação da reforma gerou fortes críticas. José María Espejo, do Cidadãos, classificou a manobra como “uma decisão de caciques”, enquanto o socialista Ferran Pedret afirmou que a reforma era “um atropelamento dos direitos dos deputados”.

— Puigdemont impõe uma estratégia lunática e distante da realidade — criticou Alejandro Fernández, do Partido Popular, legenda de Rajoy. — Seu comportamento é antidemocrático. Vamos garantir que a democracia real prevaleça.

Siga-nos no

Google News