CARACAS - Após destituir a procuradora-geral, Luisa Ortega, e intentar substituir o Parlamento com a nova Assembleia Constituinte, controlada pelo chavismo, o governo do presidente Nicolás Maduro mira em 80 prefeituras controladas pela oposição na Venezuela. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) se tornou no principal instrumento para derrubar prefeitos eleitos nos comícios de 2013 e barrar a Mesa da Unidade Democrática (MUD) em um de seus últimos bastiões institucionais.
Além do caso mais conhecido — do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, em prisão domiciliar — dois prefeitos foram condenados a 15 meses de prisão nas últimas duas semanas e até 14 respondem a causas legais na Justiça por permitir manifestações contra o governo que ocorrem desde 1º de abril.
Um deles é Josy Fernández, prefeito de San Antonio de los Altos, um município de 110 mil habitentas a 10 quilômetros da capital. Fernández, do partido opositor Primeiro Jusiticia, foi citado para comparecer ao TSJ nesta terça-feira. Em entrevista ao jornal “El País”, ele assegura que ainda não decidiu se vai comparecer. Ele considera “absolutamente inconstitucional e à margem da lei” o procedimento aberto contra ele, e denuncia que seus advogados nem sequer puderam ter acesso ao expediente.
A acusação é fundamentada no depoimento de quatro membros do oficialista Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv) que não vivem em sua cidade e que sustentam que os protestos impediram passagem de cidadãos.
— A denúncia é um copiar e colar, tanto que nem sequer se deram o trabalho de mudar o nome da localidade e me imputam a não proibir as manifestações em Baruta, um município que não é meu — alega Fernández.
O prefeito jusitifca a mobilização de seus vizinhos pela situação desesperada que vive na população, com escassez de alimentos e medicinas e uma inflação de 5.000%, mas garante dispor de vídeos que demonstram que as manifestações não alteraram em nenhum momento a mobilidade da cidade.
O prefeito de Iribarren, Ramón Alfredo Ramos, foi capturado em 28 de julho pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), junto a outros quatro políticos no mesmo procedimento. Além de acabarem na prisão, ele enfrenta a destituição de um cargo para o qual foi eleito com 78% dos votos.

