MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - A ultradireitista Giorgia Meloni cumpriu nesta sexta-feira (21) mais uma das etapas para se tornar a nova primeira-ministra da Itália. A líder da coalizão vencedora das últimas eleições se reuniu com o presidente do país, Sergio Mattarella, e recebeu dele a tarefa formal de constituir um novo governo.
O próximo passo do ritual político será o juramento de Meloni, previsto para ocorrer neste sábado (22). A cerimônia de posse está marcada para a próxima semana.
Meloni, líder e fundadora do partido Irmãos da Itália, será a primeira mulher a comandar a Itália. Herdeira política do fascismo, foi eleita em setembro para seu quinto mandato na Câmara. A coligação de direita liderada por ela foi a vencedora nas eleições parlamentares, e como seu partido foi o mais votado, com 26%, o caminho estava pavimentado para o cargo de primeira-ministra.
Na manhã desta sexta, Mattarella já havia recebido, além de Meloni, Silvio Berlusconi, do Força, Itália e Matteo Salvini, da Liga --parceiros na coalizão de direita que conquistou maioria no Parlamento. Como não havia dúvidas ou disputas sobre o cargo de líder do governo, Mattarella reconvocou Meloni para o encontro da tarde, no horário local, em que oficializou a missão da nova liderança.
Na última quarta-feira (19), Meloni disse que seu governo será pró-Otan e pró-Europa, refutando críticas de que seria a favor de uma eventual saída da União Europeia. "A Itália conosco no governo nunca será o elo fraco no Ocidente", disse.
"Em uma coisa eu fui, sou e sempre serei clara. Pretendo liderar um governo com uma linha de política externa clara e inequívoca. Quem não concorda com essa pedra fundamental não pode fazer parte do governo."
O recado parece ter sido dado diretamente contra Berlusconi. Em áudios divulgados nesta semana, o ex-primeiro-ministro reafirmou sua amizade de longa data e simpatia pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin --o italiano chegou a receber presente do russo, o que viola as sanções impostas pela União Europeia.
Ele ainda acusou o ucraniano Volodimir Zelenski de também provocar a guerra no Leste Europeu. Meloni, por outro lado, tem defendido a Ucrânia desde fevereiro, quando teve início a invasão pela Rússia.



